Dê um descanso para o seu cérebro

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Uma reclamação constante na clínica (e na vida) é que as pessoas estão com as vidas muito atrapalhadas, que estão ocupadas demais; mas é curioso como “estar ocupado” traz um status na sociedade. Você se torna importante. É como reclamar porque você é milionário… Você sabe, aquela reclamação meia-reclamação-meio-orgulho. Até quando não estamos trabalhando, estamos muito ocupados mandando mensagens, vendo o facebook, indo na academia, no curso, entre outras dez mil coisas que temos que fazer todos os dias. Nossos smartphones trazem sempre alguma coisa para lermos, respondermos ou assistirmos. Com tantas coisas para fazer, momentos de introspecção e reflexão se tornaram raros. Estamos mais conectados ao trabalho e aos outros, mas estamos nos desconectando de nós mesmos.

Por falar em trabalho, a maioria das empresas espera que seu trabalhador seja workaholic. Pessoas que se dedicam além do saudável são recompensadas. Se você quer subir na maioria das empresas, é bom estar preparado para investir sua saúde (mental e física) e sono. Podemos ver muitas pessoas respondendo e-mails de trabalho muito após o expediente: o trabalho só acaba no escritório, continuando em casa, até altas horas da noite.

O problema é que trabalhar demais não significa fazer um trabalho de qualidade – muito pelo contrário: nosso cérebro, assim como o nosso corpo, não foi feito para trabalhar constantemente, mas sim em intervalos. Não fazer nada não é exatamente não fazer nada – enquanto nosso cérebro está “descansando”, ele processa nossas experiências, reforça o aprendizado, consolida memórias e regula nossa atenção e nossas emoções – isto é, essa pausa é necessária para continuarmos eficientes. O descanso também é importantíssimo para a criatividade – precisamos de um tempo de incubação para os nossos pensamentos. Descansar a cabeça é a melhor forma de lidar com um problema complexo; e provavelmente você mesmo já passou por isso: você está pensando sem parar em um problema, e finalmente, quando resolve descansar, que a ideia vem. Mentes descansadas são mentes com idéias. Para se ter uma noção: Em um estudo feito em Berlin pelo K. Anders Ericson (professor de psicologia da Florida State University) foi descoberto que os melhores músicos praticavam muito menos do que o esperado: apenas 90 minutos por dia – e também tiravam mais cochilos durante o dia e davam mais pausas quando cansados ou estressados.

Portanto, lembre-se de dar tempo ao seu cérebro. Ele precisa de descanso para trabalhar bem e alavancar seus projetos. Trabalhar demais não significa trabalhar de uma forma inteligente.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
psicologapaulamonteiro @ gmail.com
(21) 99742-7750

Sedentarismo e o cérebro

Todos nós sabemos que o exercício físico é importante para a saúde, mas muitas vezes essa importância é apenas jogada para nós – boa parte das vezes não nos dão o motivo de ser tão importante (sem contar a parte de tônus muscular e perda de peso, porque dessa parte se fala mais do que o suficiente). No entanto, hoje trago uma prova concreta de que o exercício é essencial para o seu cérebro.

Um estudo feito na Finlândia confirmou que atividade aeróbica estimula o nascimento de novos neurônios (neurogênese) no hipocampo dos adultos, o que, consequentemente, aumenta o volume do cérebro. Agora é que vem a notícia ruim: O oposto também acontece – estar fora de forma na meia-idade pode fazer com que seu cérebro encolha conforme você envelhece.

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Um estudo feito na Boston University chegou aos mesmos resultados que a pesquisa finlandesa. O estudo americano começou há duas décadas, com 1.583 participantes, em torno dos seus 40 anos. Esses participantes fizeram um teste em uma esteira que mediu a capacidade física de cada um. Agora, duas décadas depois, esses participantes voltaram a realizar o mesmo teste, mas dessa vez também fizeram um exame de ressonância magnética. A capacidade de cada pessoa na esteira foi medida pelo batimento cardíaco – isto é, o quanto cada um aguentava até chegar a um certo nível de aceleração dos batimentos. Nesse teste os cientistas mediram, em cada participante, a capacidade máxima de metabolização de oxigênio pelo corpo em um minuto (VO2); resumindo: menor o VO2, menor a capacidade física da pessoa.

Os resultados mostraram que as pessoas que estavam mais fora de forma nos anos 90 estão agora, duas décadas depois, com menor volume cerebral. Além disso, foi feito a seguinte c

orrelação: a cada oito volume a menos de VO2 no teste da esteira, era mostrado UM ANO A MAIS de encolhimento e envelhecimento do cérebro.

Portanto, temos aqui uma evidência e tanto que atividade física é importante para a otimização das funções cognitivas durante a nossa vida. Por mais que o nosso dia-a-dia esteja mais corrido (que, aliás, de corrida física na maioria das vezes não tem nada), precisamos arranjar uma pequena parcela do nosso tempo para cuidar do nosso cérebro – e aproveitar para cuidar do corpo também.

Imagem: Pixabay

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Adversidades podem MESMO ser oportunidades – O Efeito Kafka

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Um problema pode gerar novas oportunidades.

Alguns anos atrás, na University of British Columbia, a seguinte experiência foi feita: Pessoas foram divididas em dois grupos: um grupo leu uma adaptação de um conto de Franz Kafka, com todos os elementos kafkanianos, por exemplo, uma família que implorava para o dentista extrair o dente de uma criança sem dente, e um vizinho que se comportava como um cavalo, enquanto o outro grupo leu a história, mas com elementos que faziam sentido.

Depois da leitura, foram feitos testes, incluindo achar padrões em colunas de letras e testes de associação de palavras. Em ambos os testes, o primeiro grupo foi quase duas vezes melhor que o segundo. A mesma coisa aconteceu em um teste em que para um grupo mostrou-se um filme de David Lynch (que é conhecido pelo seu surrealismo) e um clipe dos Simpsons para o outro grupo.

O que isso significa?

Quando temos uma situação normal em mãos, funcionamos praticamente no piloto automático. Quando nos deparamos com uma situação aparentemente sem solução, nosso cérebro começa a trabalhar de uma maneira diferente, para achar uma solução e não vai parar de trabalhar até encontrar. Isso faz com que nosso cérebro encontre associações que provavelmente estavam bem “no nosso nariz” mas não notávamos. O Efeito Kafka mostra como uma mudança inesperada pode, de fato, aumentar a criatividade. Portanto, não é à toa que tantas pessoas que passam por uma grande dificuldade – como por exemplo uma perda de emprego  – acabam encontrando muitas vezes não apenas uma solução, mas uma idéia que é ainda melhor do que a condição que possuía previamente. E mais, a criatividade não é um talento apenas para alguns (apesar de algumas pessoas terem mais facilidade), mas é uma normalidade do cérebro humano, e não exceção. Mudanças fazem com que o cérebro ative a criatividade em todos os humanos.

Claro, PROCURAR pela solução de um problema não é um processo agradável, mas quando se acha, é uma sensação altamente satisfatória.

Imagem: wikipedia

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Compulsão à Repetição

Por que algumas pessoas escolhem parceiros iguais aos parceiros que tiveram no passado, se estes eram abusivos, alcoólatras, narcisistas, etc? Não faria mais sentido procurar um relacionamento mais saudável, procurando parceiros talvez até com traços extremamente opostos?

Esse fenômeno psicológico de repetição tem o nome de “compulsão à repetição”. A pessoa repete o evento traumático ou suas circunstâncias, onde o evento poderia ocorrer novamente.

A origem do trauma não necessariamente é um relacionamento amoroso; pode vir de outras fontes, como, por exemplo, pais abusivos. A questão é: Independente da fonte, por que repetir uma situação ruim?

Primeiramente, a maioria das pessoas que comete essa repetição não percebe que há uma repetição, e se percebem, na maioria das vezes não identificam a origem. Inconscientemente, a pessoa repete a situação original tentando mudar o resultado. Vou dar um exemplo: Uma moça que o pai era sempre ausente na infância entra repetidamente em relacionamentos com homens ausentes, tentando agradá-los cada vez mais para obter a atenção que tanto deseja.

Além disso, nós humanos somo seres de hábitos; isto é, procuramos o que conhecemos. Logo, uma pessoa pode estar tão acostumada a um certo tipo de situação ruim, que tudo naquele ambiente é previsível, enquanto um relacionamento diferente, completamente novo, pode parecer assustador (por mais que seja mais saudável), porque essa pessoa não viveu nada parecido com aquilo. Todos sabemos o quão assustador o desconhecido pode ser.

A relação terapêutica explora as raízes dos traumas e as consequências na vida atual do paciente, tentando eliminar esse padrão repetitivo.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Olhando para o passado

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Numa cultura que a tecnologia evolui tão rápido, e que o dia-a-dia corre mais do que nunca, a norma é pensar no amanhã. Não apenas isso, mas olhar para o nosso passado pode ser visto como perda de tempo, e até como um comportamento mal-adaptativo.

Mas a verdade é que há uma diferença entre querer viver no passado, o que realmente não é saudável, e apenas lembrar dele. Lembrar do passado pode lhe ajudar a lidar com as dificuldades do presente.

Primeiramente, precisamos pensar que o presente e o futuro não seriam nada sem o passado. Pense, por exemplo, em uma pessoa que finalmente obteve o diploma da faculdade. Quem se formou sabe o quanto é emocionante finalmente obter o canudo. Mas o diploma não seria tão importante se não fosse carregado de diversas noites em branco estudando para provas, trabalhos exaustivos e estresse, não é mesmo? O momento é rico devido à contribuição do passado. Em um momento bom do presente, vemos o quão importante foram os momentos não tão agradáveis do passado, e agradecemos pelos momentos ruins terem terminado. É também olhando para o passado e para as nossas conquistas que vemos que um momento ruim qualquer do presente também passará, assim como os outros momentos ruins que aconteceram previamente.

Nostalgia também reforça nossos laços sociais e ajuda a regular nosso humor. Pensamos em todas as pessoas do passado, pai, mãe, professores, amigos, colegas de trabalho, que pelo bem ou pelo mal colaboraram para nós sermos quem somos hoje. Pesquisas mostraram que em tempos difíceis pessoas nostálgicas lidam com os problemas procurando suportes dos outros e liberando suas emoções. Além disso, em situações que estão fora do nosso controle, pessoas nostálgicas são mais capazes de ver o lado bom das situações e aprender com a experiência.

Portanto, visitar o passado pode nos ensinar muita coisa e nos dar motivação para encarar nossos problemas de hoje, ao contrário do que muitos pensam. Fazer uma viagem no tempo pode ser uma experiência produtiva, desde que você não se esqueça de voltar ao presente.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Tentado a trair? Pare e pense antes

Não estou aqui para julgar ninguém. Todos sabemos que traição não é a melhor decisão do mundo. O texto que escrevi anteriormente me fez querer focar esse texto em algo que vejo repetidamente na clínica: A traição, e como você pode estar enganando não apenas o seu parceiro, mas você também.

No texto anterior tratei de paixão dentro do relacionamento oficial, e como ele declina com o tempo, o que é natural, e citei as causas. Também mencionei que é justamente quando essa paixão sofre uma queda que a traição pode vir a ocorrer. No entanto, os parceiros que traem nem sempre estão muito cientes do que está ocorrendo com eles mesmos, e como a paixão pode enganar uma pessoa.

Vamos por partes:

A maioria das pessoas que traem não amam as pessoas com quem elas tem um caso. Falei sobre o mistério de uma pessoa nova no post anterior, e também de como toda essa situação de “amor” proibido causa uma liberação de neurotransmissores (dopamina). E também falei sobre a idealização de um ser que a gente não tem ou conhece por completo. Pois é, tudo cabe aqui. O que vejo muito é que as pessoas estão apaixonadas não pela pessoa com quem elas estão tendo um caso, mas sim com uma figura idealizada dessa. Toda pessoa nova traz sentimentos fortes que fazem com que pensemos que ela que é o amor da nossa vida. Com o tempo, alguns pulam para um outro caso, porque viram que não é aquilo que estão procurando, somente para cair em outro jogo com o desconhecido, que libera novas sensações fortes, e por aí vai.

Além da idealização, há uma questão de alimentar o “ego”, já que a outra pessoa também te idealiza, então toda essa atenção faz a gente se sentir especial. A maioria das pessoas que entram em uma relação extraconjugal se sentem especiais (afinal, para que um caso com alguém para se sentir menos especial?), e sentem que estão recebendo mais atenção.

O que eu quero dizer com tudo isso é que a maioria das pessoas que acabam tendo um relacionamento extraconjugal não estão amando a nova pessoa, mas sim o que está ocorrendo com elas mesmas. Muitas vezes é uma questão interna, de validação e autoestima. Portanto, antes de ceder às tentações, ou até mesmo caso já esteja em uma relação fora do casamento, considere em consertar o relacionamento por terapia individual ou de casal.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Amor, paixão e romance

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Já escrevi aqui sobre como nós mudamos conforme o relacionamento caminha, e como começamos a desvalorizar as pequenas coisas. No entanto, gostaria de aprofundar esse tópico, agora fazendo uma comparação entre amor, paixão e o romance.

Quando nos apaixonamos por alguém, muitas vezes dizemos que foi “amor à primeira vista”. Eu diria que foi paixão à primeira vista, e que, com sorte, virou ou poderá virar um amor.

Aquele êxtase que sentimos quando nos apaixonamos, por mais que sonhemos que com a pessoa certa será eterno, não será. Não estou falando dos sentimentos amorosos, mas sim daquela paixão forte, que derruba a gente como uma onda gigante. Essa onda, inevitavelmente irá diminuir. Pode não quebrar e sumir, mas com toda certeza diminuirá.

Aí você me pergunta: Mas por quê? Por que o romance sempre diminui com o tempo? O romance CONSUMIDO sempre diminui com o tempo porque o “barato”, aquela sensação forte que sentimos é dada pela incerteza da continuidade desse romance e pelo fato de o seu “objeto de adoração” ser ainda não completamente conhecido. Curiosamente, a única forma de manter um romance tão forte eternamente é em um amor não-correspondido, seja a pessoa próxima ou até mesmo um ídolo/celebridade.

“If only the strength of the love that people feel when it’s reciprocated could be as intense and obsessive as the love that we feel when it’s not, then marriages would be truly made in heaven” – Ben Elton

(Tradução não-literal: Se a força de um amor que as pessoas sentem quando é correspondido fosse tão intenso e obsessivo quanto um amor que sentimos quando não é, casamentos seriam perfeitos)

Infelizmente, conforme conhecemos nosso parceiro, isto é, o romance vai sendo consumado, nosso êxtase diminui. Deixamos de ver nosso parceiro como uma pessoa perfeita, idealizada, e passamos a vê-lo como uma… pessoa. Quando a “caça” cessa, e o relacionamento se torna estável, tudo muda, incluindo os hormônios. A “onda” da dopamina cede e abre espaço pra ocitocina, agora sim, o hormônio do amor. Os laços se tornam reais e não idealizados. A paixão ardente se torna um lugar seguro e confortável (quando o relacionamento é saudável, claro)… Mas infelizmente nem todos nós conseguimos ver essa mudança como algo positivo, e por motivos óbvios: além dos sentimentos de êxtase de um “amor” novo serem muito bons, a mídia retrata desde sempre paixão como amor.

Vamos voltar um pouco no tempo: No romantismo, como era retratado o “amor”? A mulher era um objeto idealizado, distante. Pense em Romeu e Julieta; o amor deles era amor adolescente, com muitas barreiras, e nunca puderam realmente viver uma vida em casal. Com toda certeza, a história seria diferente se eles tivessem se casado e a história seguisse por mais dez anos.

E nos filmes de hoje? E nas séries? O que podemos ver de “amor”? Geralmente é o encontro de duas pessoas, elas se conhecem e geralmente os filmes terminam em o quê? Em casamento, que seria a conclusão desse período de êxtase, de mistérios, surpresas, de inseguridade e de idealização. Há uma clara desvalorização e confusão sobre o tema amor. As pessoas acreditam que o êxtase durará para sempre, e que esse êxtase (ou as famosas borboletas no estômago) é o maior sinal de amor.

Então, o que acontece na vida real por causa desses exemplos tão não realistas de amor? Quando a paixão cessa e o amor de verdade, que a vida real em dois, se instala e se estabiliza, muitas pessoas acreditam que o relacionamento está morrendo, ou que até o parceiro perdeu o interesse. É nesse momento que o perigo de uma traição mais aparece, justamente porque uma pessoa nova sempre trará mais êxtase (novamente, temporário) que um parceiro atual, por ser uma pessoa não completamente conhecida, um ambiente em que o amor é proibido (adultério).

Em textos futuros falarei sobre como trazer o fator surpresa de volta ao relacionamento. Mas isso não é a cura para a idealização do amor, é apenas uma ajuda dar uma sacudida na “rotina”. A cura é ver que por mais que o romance e a paixão sejam maravilhosos, eles são efêmeros, e que se você estiver com a pessoa certa, o amor verdadeiro é muito bom também, e duradouro.

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
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Alguns mitos sobre relacionamentos

Casais felizes não discutem:
TODOS os casais discutem em algum momento. A diferença é na quantidade e na qualidade. O que eu quero dizer por qualidade da discussão é o quanto eles estão tentando consertar. Uma discussão construtiva faz com que o casal cresça junto e siga algo em que ambos concordam. Uma discussão tóxica não resulta em nada, e os parceiros, ao invés de tentarem consertar, tentam atingir um ao outro ou chegam a uma decisão que é injusta a uma das partes. Casais em bons relacionamentos tendem a discutir menos com o tempo, porque já entraram em acordo sobre vários assuntos.

Você tem que amar tudo o que seu parceiro faz:
Me desculpe, mas seu parceiro não é perfeito, e nem você. Haverão sempre algumas coisas pequenas (e lidáveis) que teremos que aprender a ignorar.

Não reclame do que você não gosta no começo do relacionamento:
O começo do relacionamento vai moldando como vai ser a dinâmica do casal. Vamos dizer que você não gosta que seu parceiro apareça no seu trabalho sem te avisar antes. Se você não reclamar nas primeiras vezes, ele vai achar que esse comportamento é aceitável e irá continuar fazendo, gerando mais frustração para você. Fale o que não gosta, de um jeito educado. É crítica construtiva.

Casais que são para dar certo simplesmente irão dar certo. Bons relacionamentos não dão trabalho.
Qualquer relacionamento requer pelo menos um pouco de esforço de ambos os lados. Deixar que ‘o destino’ cuide é uma furada. Entrar em um relacionamento é combinar todos os desejos e sonhos de ambas as partes, e obviamente, isso é bem complicado. Nada é perfeito, e nada vem sem esforço. Mas, claro, se o relacionamento estiver dando mais trabalho do que alegria, é necessário ver se o relacionamento vale a pena.

Casais felizes fazem muito sexo ou fazem pelo menos (insira número aqui) vezes
A frequência que um casal faz sexo depende da libido do casal, das circunstâncias e da oportunidade. Comparar a sua vida sexual com seus amigos não é uma boa forma de medir a sua satisfação sexual ou do seu parceiro. Caso esteja incomodado, converse com seu parceiro, não com pessoas fora da relação. Além disso, obviamente, a quantidade de vezes tende a diminuir com o tempo, já que o fator da novidade já desapareceu. No entanto, o que importa aqui não é a quantidade, e sim a QUALIDADE.

Um bebê vai solucionar todas as brigas do casal
Só se for porque eles estão cansados demais para brigar. Um bebê é uma grande responsabilidade, toma muito tempo (e dinheiro do casal). Satisfação dentro de um relacionamento quase sempre cai depois do nascimento do primeiro filho. Claro, ter um filho é muito bom (para os casais que desejam), mas se o casal está com problemas sem filhos, melhor resolvê-los antes de abrir a fábrica.

Casais felizes fazem tudo juntos
Você não é uma extensão do seu parceiro. Vocês são duas pessoas distintas, e justamente por terem alguns interesses diferentes que podem trocar experiências e assim se tornam interessantes. Atividades tanto juntos quanto separados são importantíssimas.

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
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Detalhes fazem toda a diferença

Quando entramos em um relacionamento, tudo é lindo e encantador. Todos os detalhes positivos do parceiro são vistos com uma lente de aumento, e os defeitos são diminuídos ou até vistos como “charme”. Notamos todas as atitudes boas, como o café da manhã que ele faz e traz na cama aos domingos, como ele traz um doce toda semana para você depois do trabalho ou como ele conserta o seu computador sempre que você precisa. Ou como ela passou o seu terno que você precisava para a reunião, ou como faz um jantar especial todas às sextas-feiras, quando você volta exausto do trabalho. Você além de notar, menciona e agradece.

Após algum tempo, os detalhes negativos da pessoa começam a ter importância, e os positivos começam a perder o poder. Aquele esquecimento dele que antes era fofo começa a ser irritante, e o jeito que ela se atrasa sempre deixa de ser charme, e vira motivo de briga. Por que as coisas se invertem dessa maneira?

A verdade é que nos acostumamos facilmente com o que é bom (culpemos nosso cérebro!). Com o tempo, aquele café da manhã aos domingos vira tão normal quanto domingão do faustão, e deixamos de agradecer, até porque nós mesmos não vemos mais aquilo como tão especial. Em compensação, sabemos o quão difícil é se acostumar com algo ruim, e com a mágica de um relacionamento novo já meio que apagada, esses detalhes negativos começam a sobressair. Ambos os lados ficam irritados e começam a pensar que estão sendo desvalorizados.

Mas o que fazer para reverter esse problema? Tente adicionar um pouco de gratidão “não-automática” na relação: Pare e veja as qualidades de seu parceiro. Comente. Você verá que não somente seu parceiro se sentirá mais valorizado, feliz e irá retribuir o gesto, como você mesmo ficará mais satisfeito na relação.

Paula Monteiro
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Traição: Quando perdoar?

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Não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, e quais são seus limites. Se você não aceita nenhuma traição e quer sair do relacionamento, esse texto não é para você. Estou escrevendo para quem se pergunta se realmente vale a pena dar uma (ou mais uma) chance.

O mais grave da traição não é o ato sexual, mas sim a quebra de confiança que a traição causa. Muitas vezes essa quebra de confiança não consegue ser ultrapassada, e o término acontece. Só amor não é o suficiente para manter um relacionamento, precisa haver confiança. Confiança é a cola do relacionamento.

Relacionamentos envolvem promessas: promessa de que você está com uma pessoa e mais nenhuma outra (no caso dos relacionamentos fechados). Quando essa promessa é quebrada, a confiança se desintegra. Sem confiança, a intimidade e a comunicação acabam. O casal acaba se distanciando. Hostilidade toma o lugar do carinho, e o relacionamento aos poucos se torna tóxico, e pode vir a acabar. Porém, se ambas as partes quiserem, a reconstrução do relacionamento PODE ser atingida, especialmente com a ajuda de terapia, que, nesse caso, se vê muito necessária. A terapia ajuda trabalhando nos problemas de comunicação, na confiança quebrada, na mágoa e na raiva causadas pela traição.

Para a reconstrução de um relacionamento, todas as cartas devem ser postas na mesa. Traição é um problema do casal, não de somente uma das partes. A verdade deve ser dita, por ambas as partes. Quem traiu não deve esconder o que fez, o motivo que levou a fazer isso (isto é, o que lhe falta no relacionamento) e aceitar sua culpa, assim como quem foi traído deve dizer o que precisa para sua confiança no parceiro voltar. A confiança não irá voltar facilmente, nem deve. O parceiro traído foi manipulado e escutou mentiras. A confiança deixa de ser garantida e cega para ser ganha, aos poucos; é um processo lento, que requer trabalho e dedicação.

Mas, quando é que todo esse esforço é realmente necessário? As chances de um casal ficar bem após uma traição são razoáveis, com o esforço de ambos, caso estejam interessados. Mas o que falar de múltiplas traições? E de traições que foram descobertas pelo parceiro, e não admitidas pelo outro? O ponto que quero chegar aqui é que vejo muitas vezes no consultório situações em que a “vítima” se cega para a realidade. O amor realmente cega às vezes. Qual é a responsabilidade da vítima numa situação assim? Uma das coisas mais difíceis de se fazer é olhar para si mesmo e ver qual parcela de culpa temos por nos colocar nas situações que acontecem conosco. Será que o parceiro nunca mostrou nenhum sinal infidelidade antes ou nós é que tampamos nossos olhos até o último instante? O que essa situação toda diz sobre nós mesmos? O que faz nós irmos ao consultório para “nos consertar”, para aceitarmos uma relação de monogamia repetidamente desrespeitada? O que nos impede de olhar para fora da relação e ver uma nova vida? É o medo de ficar sozinha(o)? É por causa do “bem” da família? É a incerteza do futuro? Essas são perguntas importantes que devem ser respondidas antes de dar mais uma chance a parceiros que traem repetidamente. A habilidade de perdoar é algo louvável, mas nem sempre é a solução.

Paula Monteiro
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