Sedentarismo e o cérebro

Todos nós sabemos que o exercício físico é importante para a saúde, mas muitas vezes essa importância é apenas jogada para nós – boa parte das vezes não nos dão o motivo de ser tão importante (sem contar a parte de tônus muscular e perda de peso, porque dessa parte se fala mais do que o suficiente). No entanto, hoje trago uma prova concreta de que o exercício é essencial para o seu cérebro.

Um estudo feito na Finlândia confirmou que atividade aeróbica estimula o nascimento de novos neurônios (neurogênese) no hipocampo dos adultos, o que, consequentemente, aumenta o volume do cérebro. Agora é que vem a notícia ruim: O oposto também acontece – estar fora de forma na meia-idade pode fazer com que seu cérebro encolha conforme você envelhece.

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Um estudo feito na Boston University chegou aos mesmos resultados que a pesquisa finlandesa. O estudo americano começou há duas décadas, com 1.583 participantes, em torno dos seus 40 anos. Esses participantes fizeram um teste em uma esteira que mediu a capacidade física de cada um. Agora, duas décadas depois, esses participantes voltaram a realizar o mesmo teste, mas dessa vez também fizeram um exame de ressonância magnética. A capacidade de cada pessoa na esteira foi medida pelo batimento cardíaco – isto é, o quanto cada um aguentava até chegar a um certo nível de aceleração dos batimentos. Nesse teste os cientistas mediram, em cada participante, a capacidade máxima de metabolização de oxigênio pelo corpo em um minuto (VO2); resumindo: menor o VO2, menor a capacidade física da pessoa.

Os resultados mostraram que as pessoas que estavam mais fora de forma nos anos 90 estão agora, duas décadas depois, com menor volume cerebral. Além disso, foi feito a seguinte c

orrelação: a cada oito volume a menos de VO2 no teste da esteira, era mostrado UM ANO A MAIS de encolhimento e envelhecimento do cérebro.

Portanto, temos aqui uma evidência e tanto que atividade física é importante para a otimização das funções cognitivas durante a nossa vida. Por mais que o nosso dia-a-dia esteja mais corrido (que, aliás, de corrida física na maioria das vezes não tem nada), precisamos arranjar uma pequena parcela do nosso tempo para cuidar do nosso cérebro – e aproveitar para cuidar do corpo também.

Imagem: Pixabay

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
psicologapaulamonteiro @ gmail.com
(21) 99742-7750

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Adversidades podem MESMO ser oportunidades – O Efeito Kafka

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Um problema pode gerar novas oportunidades.

Alguns anos atrás, na University of British Columbia, a seguinte experiência foi feita: Pessoas foram divididas em dois grupos: um grupo leu uma adaptação de um conto de Franz Kafka, com todos os elementos kafkanianos, por exemplo, uma família que implorava para o dentista extrair o dente de uma criança sem dente, e um vizinho que se comportava como um cavalo, enquanto o outro grupo leu a história, mas com elementos que faziam sentido.

Depois da leitura, foram feitos testes, incluindo achar padrões em colunas de letras e testes de associação de palavras. Em ambos os testes, o primeiro grupo foi quase duas vezes melhor que o segundo. A mesma coisa aconteceu em um teste em que para um grupo mostrou-se um filme de David Lynch (que é conhecido pelo seu surrealismo) e um clipe dos Simpsons para o outro grupo.

O que isso significa?

Quando temos uma situação normal em mãos, funcionamos praticamente no piloto automático. Quando nos deparamos com uma situação aparentemente sem solução, nosso cérebro começa a trabalhar de uma maneira diferente, para achar uma solução e não vai parar de trabalhar até encontrar. Isso faz com que nosso cérebro encontre associações que provavelmente estavam bem “no nosso nariz” mas não notávamos. O Efeito Kafka mostra como uma mudança inesperada pode, de fato, aumentar a criatividade. Portanto, não é à toa que tantas pessoas que passam por uma grande dificuldade – como por exemplo uma perda de emprego  – acabam encontrando muitas vezes não apenas uma solução, mas uma idéia que é ainda melhor do que a condição que possuía previamente. E mais, a criatividade não é um talento apenas para alguns (apesar de algumas pessoas terem mais facilidade), mas é uma normalidade do cérebro humano, e não exceção. Mudanças fazem com que o cérebro ative a criatividade em todos os humanos.

Claro, PROCURAR pela solução de um problema não é um processo agradável, mas quando se acha, é uma sensação altamente satisfatória.

Imagem: wikipedia

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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Compulsão à Repetição

Por que algumas pessoas escolhem parceiros iguais aos parceiros que tiveram no passado, se estes eram abusivos, alcoólatras, narcisistas, etc? Não faria mais sentido procurar um relacionamento mais saudável, procurando parceiros talvez até com traços extremamente opostos?

Esse fenômeno psicológico de repetição tem o nome de “compulsão à repetição”. A pessoa repete o evento traumático ou suas circunstâncias, onde o evento poderia ocorrer novamente.

A origem do trauma não necessariamente é um relacionamento amoroso; pode vir de outras fontes, como, por exemplo, pais abusivos. A questão é: Independente da fonte, por que repetir uma situação ruim?

Primeiramente, a maioria das pessoas que comete essa repetição não percebe que há uma repetição, e se percebem, na maioria das vezes não identificam a origem. Inconscientemente, a pessoa repete a situação tentando mudar o resultado, seja se vestindo diferente, agindo de outra maneira, etc. Vou dar um exemplo: Uma moça que o pai era sempre ausente na infância, entra repetidamente em relacionamentos com homens ausentes, tentando agradá-los cada vez mais para obter a atenção que tanto deseja.

Além disso, nós humanos somo seres de hábitos; isto é, procuramos o que conhecemos. Logo, uma pessoa pode estar tão acostumada a um certo tipo de situação ruim que tudo naquele ambiente é previsível, enquanto um relacionamento diferente, completamente novo, pode parecer assustador (por mais que seja mais saudável), porque essa pessoa não viveu nada parecido. Todos sabemos o quão assustador o desconhecido pode ser.

A relação terapêutica explora as raízes dos traumas e as consequências na vida atual do paciente, tentando eliminar esse padrão repetitivo. Com os traumas localizados, o paciente começa a ter capacidade de distinguir entre estressores atuais e traumas do passado, reduzindo o impacto do desses na vida atual.

Apesar de ser um trabalho arduoso, a terapia ajuda e o bem-estar é possível.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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