Abuso Reativo – O que é, e como narcisistas (e manipuladores em geral) se aproveitam disso

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Abuso reativo é a reação ao abuso cometido por uma ou mais pessoas. Imagine o seguinte: o seu parceiro te insulta, te empurra, te controla por dias seguidos. Semanas. Meses. Você vai segurando, segurando, segurando. Uma hora você quebra – afinal, ninguém é de ferro. Você revida, insulta ou agride o manipulador. Isso é o abuso reativo.

Com a definição já estabelecida, vamos para a parte complexa, a dinâmica:

Abusadores vêem o abuso reativo como um prato cheio, e usam o seu momento crítico para fazer gaslighting e te tornar o vilão da história. Quando você finalmente explode, o abusador geralmente diz coisas como:
-Você está agindo como um maluco!
-Olha o que você faz comigo. Você é um monstro!
-Você é doente, não está bem da cabeça!
-Você precisa tomar o seu “remedinho”
-Viu o que eu tenho que aturar?
(resumindo, voltam a culpa de tudo para você)

A vítima, que já está fragilizada por estar numa situação com um manipulador emocional por um tempo, se culpa, e diz que não sabe o que aconteceu com ela, que ela se tornou um monstro. Nos olhos dela, ela é a abusadora da história. E para o real abusador, isso vira munição para qualquer momento, inclusive como desculpa para novas agressões do mesmo e para segurar a vítima no relacionamento.

Uma observação aqui: De forma alguma estou dizendo que explodir e reagir de tal forma está certo, mas é uma reação compreensível (porém, mais uma vez, errada) para o contexto. Situações anormais geram comportamentos anormais.

Se você parar para perceber, se conseguir se distanciar da situação, verá que os manipuladores emocionais gostam dessa reação da vítima. Não somente pelos motivos acima citados, mas também porque enquanto eles são os únicos que atacam, eles sabem que estão perdendo e que estão errados. Quase todo manipulador pára de atacar somente quando a bomba explode, porque é aí que ele pode usar seu papel de vítima. É nesse momento que o relacionamento tem um pequeno momento de sossego, para retomar a dinâmica de conflito logo depois.

Em casos assim, quando a própria vítima se sente como se fosse a vilã, como identificar quem é o abusador e quem é a vítima? Existe possibilidade de abuso mútuo?
Abuso mútuo é extremamente raro (ou inexistente, de acordo com alguns pesquisadores).
A vítima tende a se culpar por tudo, por todos os atos que cometeu, e os vê como inadmissíveis, enquanto o abusador raramente admite culpa, e, quando admite, cria um motivo para a sua ação – isto é, o velho “eu te agredi sim, MAS…”. No discurso de desculpa do manipulador emocional há uma diminuição da culpa dele(a) e uma acusação sutil para o lado da vítima.

Manipuladores emocionais e problemas psicológicos/diagnósticos:
Outra maneira que os manipuladores controlam a situação é com problemas mentais: se o abusador tem um diagnóstico ou trauma, ele o usa como desculpa para os abusos (“eu tenho problemas e você vai ter de entender que sou assim”). Para a vítima, a balança tende para o outro lado – os remédios não estão funcionando, a terapia não está funcionando, a pessoa é maluca (e o abusador é um anjo por aturar tudo o que ele atura) etc. No entanto, quando o abusador REALMENTE vê que está perdendo o poder, ele pode dizer que precisa trocar o remédio/fazer terapia, e que ele vai melhorar (leia este texto aqui).

Voltando o assunto para as vítimas:
Se perdoe pelos comportamentos errados, e se comprometa a não reagir mais de maneira agressiva. Volte nos momentos onde você reagiu ao abuso, e veja o que você poderia fazer de diferente. Realmente se imagine nessas cenas, refazendo-as da forma certa.

Se você se transformou em uma pessoa que você não é e nem quer ser nessa relação, reflita sobre como você era antes de isso tudo acontecer. E reflita também sobre o seguinte: se você se transformou em um ser tão diferente (e agressivo) para sobreviver com essa pessoa (ou não ser completamente engolido(a) por ela), vale a pena continuar?

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Análise do filme Swallow (2019 / 2020)

SWALLOW

Swallow conta a história de Hunter, uma mulher que a grande maioria das pessoas julgaria ter uma vida “muito boa”. No entanto, isso é bem superficial. Conforme vamos assistindo o filme, percebemos que Hunter vive uma vida vazia e falsa: ela é constantemente ignorada pelo seu noivo e pela família dele, e dá para ver que aquele mundo (inclusive suas roupas) não é seu. Ela tenta se encaixar para ser amada, mas de nada adianta. Além disso, acredito que a questão da segurança financeira a segure no relacionamento com seu noivo ausente, pois ela não conseguiu nenhum emprego na área que queria e acabou trabalhando como vendedora até encontrar o rapaz.

Hunter logo descobre que está grávida. Conta ao noivo, que fica muito feliz, mas vemos que a própria Hunter não está feliz. Está fingindo felicidade quando necessário. Vemos isso até quando um dos colegas de trabalho de seu noivo lhe dá os parabéns, e ela não se liga no que ele está falando de imediato.

E é logo depois da descoberta dessa gravidez que as coisas começam a sair do controle para Hunter. Primeiramente, ela engole uma bola de gude. Depois, outros pequenos objetos são ingeridos conforme os dias passam. Nisso, parece que o humor de Hunter começa a melhorar um pouco toda vez que ela engole algo que não deveria.

Ao fazer um exame por conta da gravidez, descobre-se que tem uma pilha em seu corpo – o último objeto ingerido. Por conta disso, ela vai direto para a sala de cirurgia. Seu noivo fica extremamente irritado com toda a situação e a manda para uma psiquiatra, e todos os passos  de Hunter começam a ser vigiados por um enfermeiro contratado pela família dele.

Aos poucos, Hunter se abre para a terapeuta. Em um certo momento ela fala que engolir esses objetos lhe traz uma sensação de controle – coisa que obviamente falta em todo o resto de sua vida. Aliás, antes dos objetos, ela engolia muito desaforo e descaso. Em outra sessão, ela menciona que ela não é filha de seu pai, e que sua mãe foi estuprada. Por conta da origem conservadora, sua mãe decidiu manter a gravidez. Hunter diz que ainda assim ela é muito amada por todos de sua família.

Logo descobrimos que a psiquiatra foi comprada pelo marido. Em uma ligação, ela fala sobre o estupro para ele (o que deveria ser confidencial) e o avisa que Hunter está em perigo. Nesse momento, quando achamos que vai acontecer uma mudança de afeto, de que ele vai se importar mais com sua noiva após essa descoberta, nos deparamos com uma cena do rapaz indo para a academia e oferecendo comprar “qualquer coisa” para Hunter, sem conversar com ela. Hunter fica extremamente frustrada pois ouviu a conversa dos dois e acaba engolindo mais um objeto quando escapa do controle do enfermeiro, que estava adormecido. Essa foi a gota d’água para a família, que fala que ela precisa ser internada, e que ela não tem escolha. Hunter, que está sempre engolindo tudo que vem dos outros, assina o contrato, mas acaba fugindo pela janela de casa com o auxílio do enfermeiro, que começa a ter empatia por sua situação.

Ela liga para a mãe, que prontamente a recusa. Então, se hospeda em um hotel e consegue encontrar o endereço de seu pai verdadeiro, o estuprador. Ela invade a festa de aniversário da (outra) filha dele, e, em um certo momento da conversa, ele fala o que ela tinha que escutar: que ela não era ele, e que ela não fez nada. Nisso, Hunter tem seu “estalo mental”. Na próxima cena, vemos que suas roupas combinam mais com seu ser, a sua imagem está mais harmoniosa, honesta. Ela vai à uma clínica de aborto, e, no último instante do filme, vemos uma Hunter que parece genuinamente ela mesma, e genuinamente feliz (ou pronta para ser).

Na minha opinião, Swallow é um filme muito bom, que mostra como a nossa história nos faz repetir padrões (neste caso, uma gravidez indesejada), como uma família tóxica afeta a nossa auto-estima a ponto de nos perdemos na vida, que a somatização de problemas pode ser extremamente simbólica (Hunter foi de “engolir sapos” totalmente fora do controle para engolir objetos como forma de controle) e que todos podemos ter um recomeço, abandonar tudo de ruim e sermos felizes, não importa em que ponto estamos na nossa vida.

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Dica de filme: Gaslight (1944)

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Gaslight conta a história de Paula Alquist, que se casa com Gregory Anton. Os dois se mudam para a casa de sua tia (que era praticamente uma mãe para Paula), que foi assassinada tempos atrás. Sendo assim, Paula volta para o lar onde passou sua infância, em Londres.

Aos poucos, Paula começa a esquecer algumas coisas, perder outras… Além disso, ela começa a ouvir sons durante a noite, e as luzes de casa diminuem quando ela está sozinha (as luzes naquele tempo eram à gás, então quando alguém acendia uma luz a mais, consequentemente, as chamas já existentes diminuíam um pouco). Paula comenta tudo isso que está acontecendo para o seu marido, que diz que ela “não está bem”. Logo, ela começa a questionar a própria sanidade.

A origem do termo “gaslighting” que usamos hoje em dia vem desse filme (existe também uma peça de 1938 e um filme de 1940 com o mesmo nome e tema, porém o filme de 1944 é o mais conhecido de todos). Assim como Paula, vítimas de gaslighting são manipuladas, forçadas a se questionarem sobre suas memórias, sentimentos e ações. No filme, Gregory cria diversas “cenas” para Paula acreditar que ela está ficando doente: desde pegar objetos sem a esposa perceber, sumir com eles, e depois jogar a culpa em Paula, até mexer nas luzes e fazer barulhos no teto, dizendo que nada aconteceu e que ele estava na rua no momento. Podemos também ver uma manipulação verbal desde o começo, quando Gregory fala que ela é esquecida, ou que ela está agindo de forma irracional.

Além das manipulações mais específicas que podemos chamar nos dias atuais de “gaslighting”, Gregory também faz uso das seguintes táticas no filme:

Isolamento social: Paula nunca estava se sentindo bem para receber visitas ou ir a eventos. Isolamento é fundamental para esse tipo de abuso acontecer – afinal, quanto mais pessoas perto de você, mais difícil será de abalar o seu senso de realidade.

Transformar conhecidos em inimigos (criar rivalidade): As únicas pessoas constantemente presentes na vida de Paula eram suas empregadas (além do marido, claro). Gregory distorcia situações para as duas mulheres verem Paula de uma forma negativa. Um exemplo: Gregory falou para Paula chamar uma das ajudantes para colocar mais carvão no fogo, pois era tarefa delas. Paula diz que não queria dar trabalho desnecessário às moças, e que ela mesma poderia fazer isso. Gregory insiste, e então Paula toca o sino da casa. Quando uma das empregadas chega ao cômodo, Gregory prontamente fala que foi Paula que pediu para ser atendida.

Enfim, o filme é bom, e mostra como pequenas manipulações diárias podem fazer um estrago em nossa vida, ao ponto de questionarmos nossa sanidade.

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Remorso ou Arrependimento? E por que isso importa? O pedido de desculpas em um relacionamento abusivo

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Você sabe a diferença entre remorso e arrependimento? Não se trata de palavras que são sinônimos, nem de diferença em finesse; isto é, não é o caso de uma palavra ser semelhante à outra, porém mais chique, mais refinada.

Remorso é um sentimento empático, uma tristeza por ter magoado o outro. É realmente entender o que você fez com a outra pessoa; é sofrer por ter machucado alguém. Já o arrependimento tem a ver com uma tristeza egoísta, uma tristeza relacionada à consequência que foi causada para si. Ambos os sentimentos podem gerar lágrimas, rosto vermelho e inchado, porém por motivos muito diferentes.

Vou dar um exemplo. Imagine essa cena num relacionamento:

Um rapaz deu uma cantada na amiga da namorada (vamos deixar de lado a sem-vergonhice e se você aceitaria isso ou não). A namorada ouviu, brigou e ameaçou terminar, e então ele, desesperado, pediu desculpas.

Num caso de remorso, essas desculpas têm a ver com o fato de que ele viu que o que fez foi extremamente errado, e entendeu a dor de sua namorada. Como o rapaz interiorizou a dor, ele provavelmente não cometerá o mesmo erro.

Já num caso de arrependimento, esse rapaz pede desculpas, mas foi por conta da consequência: sua namorada descobriu, e ele corre o risco de perdê-la. Sendo assim, ele pede desculpas para voltar ao status normal do relacionamento, e não porque magoou a sua parceira. Possivelmente, ele vai cantar alguém de novo (talvez com mais “cautela” numa próxima vez), porque o que o rapaz não gostou foi da consequência do ato, não do ato em si. Ele não interiorizou a dor da namorada.

Resumindo essa situação em particular: no remorso, os pensamentos são “não quero mais magoar a minha namorada” e “quero ser uma pessoa melhor para ela”, enquanto no arrependimento o pensamento é “não quero perder a minha namorada”. Nós podemos até entender que no primeiro caso, o rapaz trata a namorada como um ser com sentimentos, enquanto no segundo caso a parceira vira um “objeto”.

E aí a gente pode pensar em casos de traição em que a pessoa encontra provas ou até mesmo pega o outro no flagra: o parceiro está pedindo desculpas porque foi descoberto, ou porque realmente se arrependeu? Se não tivesse sido descoberto, pediria desculpas? Repetiria o ato?

De qualquer forma, não estamos aqui para falar sobre traição em específico, e sim sobre relacionamentos abusivos e suas desculpas falhas e superficiais.

Pessoas abusivas têm uma dificuldade extrema para pedir desculpas. Geralmente, essas desculpas só aparecem quando a pessoa está em “risco”, quando ela não está mais no poder. Isto é, essa pessoa pode estar em risco de perder um relacionamento, um privilégio, um trabalho. O arrependimento é relacionado ao sentimento de medo, não de tristeza. Quando ela não vê risco de perda, as desculpas geralmente não aparecem, e podem até podem virar munição: “você me fez fazer isso”, “você também faz isso”, ou sua reclamação ou seu óbvio descontentamento são ignorados.

Agora, quando essa pessoa está em risco (de perder seja lá o que for), ela pede desculpas. Desculpas pelo quê? Pelo o que ela fez com você? Não. Pela consequência ou possível consequência do ato dela. Pelo medo. E aí o que acontece depois? Quando essa pessoa retoma o “poder” (isto é, quando o risco cessar), o abuso volta.

Sendo assim, vamos pensar em um relacionamento amoroso: o parceiro que é abusado chega no limite, e o abusador pede desculpas e começa a se comportar, pois o rompimento é um risco naquele momento. Alguns dias, semanas ou meses (dependendo da dinâmica do casal), o parceiro abusado se vê mais calmo, o risco de término some, e o abuso volta. Por quê? Porque eram desculpas por medo; era arrependimento. Não houve tristeza internalizada, não houve empatia com o parceiro abusado; não houve remorso.

Logo, o que temos que nos questionar é: a pessoa que está te pedindo desculpas está sentindo remorso ou arrependimento? Você consegue sentir uma tristeza genuína em relação aos seus sentimentos, ou seria uma tristeza voltada para as consequências causadas para ela mesma? Essa pessoa te pergunta como pode melhorar, ou inventa desculpas (incluindo histórias tristes) para o ato? Ela quer te ver feliz, ou quer ela mesma ficar feliz com a reparação? Ela vê o seu lado, de verdade? Se essa pessoa repete o mesmo erro várias vezes ciclicamente, o que você espera que aconteça na próxima vez que a poeira baixar? E na outra?

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Paralisia do perfeccionismo

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Hoje decidi me abrir para vocês, e falar sobre um problema que me afetou bastante por um bom tempo, e que vejo que afeta muita, mas muita gente: a paralisia causada pelo perfeccionismo.

Eu estava com a ideia fazer de um podcast faz tempo, muito tempo mesmo, e a ideia ficou ainda mais forte durante a pandemia. No entanto, toda vez que eu sentava na cadeira para pensar em um tópico, eu acabava fazendo qualquer outra coisa que não fosse trabalhar nisso. E nisso, passaram-se muitos, mas muitos meses.

Sempre era alguma coisa no caminho: cursos, vídeos, livros que eu queria ler, séries, até dar uma volta rua estava valendo. E qual era o grande problema para mim? Produzir algo bom. Eu queria trazer para vocês um conteúdo de qualidade, eu queria que, seja lá qual fosse o tópico, eu pudesse ajudar vocês da melhor forma possível.

Só que essa “melhor forma possível” para mim, pelo menos inconscientemente, era algo que estava quase inalcançável. Na verdade, eu acho que estava inalcançável. E aí, vendo que o conteúdo que eu queria passar na qualidade que eu queria passar era inalcançável, eu procrastinava.

Eis algo interessante sobre a procrastinação. Muitas pessoas acham que a procrastinação só acontece quando não queremos fazer algo. Mas a verdade é que existe um tipo de procrastinação que acontece quando a gente realmente quer fazer algo, mas se sente incapaz. É o perfeccionismo nos paralisando, e não deixando dar os passos que a gente precisa dar.

Aliás, precisamos falar sobre o termo perfeccionismo. Perfeccionismo não é dar o seu melhor. Nós sempre temos que dar o nosso melhor. O perfeccionismo é um escudo contra julgamentos dos outros. É aquela ideia de que temos que fazer tudo absolutamente perfeito, pois assim não seremos afetados por críticas. E nisso, a gente tem dois problemas:

Primeiro que não existe perfeição, muito menos sem prática. Sempre haverá alguém para te criticar. E sempre haverá alguma maneira de melhorar também. E justamente porque sempre existe espaço para melhorar, se você está esperando a versão perfeita do seu produto ou seja lá o que for, você nunca vai lançar. O perfeito não existe, e essa ideia nos prende, nos paralisa.

Se você olhar para as pessoas de sucesso, sejam escritores, apresentadores, artistas, empresários, você vai ver que todos eles começaram de um ponto e cresceram a partir daí. E eu sei que é difícil colocar algo no mundo nesse momento, onde tudo parece perfeito no instagram e no facebook, mas acredite, tudo precisa de um começo. Pense o seguinte: se o seu artista favorito não tivesse se arriscado, ele não teria crescido na vida e não teria se transformado no seu artista favorito! Todas as pessoas que conseguiram sucesso erraram em algum momento, e se você não se permitir errar e crescer, você simplesmente não vai sair do lugar. Todo profissional começa como amador. Um escritor famoso não nasceu já escrevendo best sellers, tudo contou para esse escritor chegar onde está agora, inclusive seus textos que ainda escrevia no colégio, e até os textos que foram recusados por alguma editora. Tudo conta. Pense em progresso, não em perfeição.

Quanto mais você produz, mais você se desenvolve. Vou dar um exemplo: João pintou um quadro em um ano. E realmente, o quadro era muito bom (apesar de que talvez João não pensasse dessa forma). Ele demorou um ano inteiro porque toda vez que ele começava, ele não terminava, pois sempre tinha algum problema, tinha sempre algo errado, aí ele parava e recomeçava logo depois de começar. Já Luiz pintou dez quadros em um ano – e eram quadros bons também, talvez não tão bons quanto o quadro de João, mas muito bons.

E quem é que ganha nessa história? Luiz ganha nessa história. Por quê? Porque ao invés de congelar e não produzir, Luiz trabalhou nas suas artes e se desenvolveu muito mais que João no final das contas. Apesar de não ser inicialmente tão talentoso quando João, ele ganhou muito mais prática nesse um ano.

Então, gente, o que é que eu quero dizer com isso: vamos deixar essa procrastinação e esse medo de lado, e botar a mão na massa. Não é semana que vem, não é ano que vem, é agora. O seu futuro é agora. Não deixe sua autocrítica extrema te impedir e te sabotar de fazer o que você quer fazer.

E para quem quiser me ver (ou melhor, ouvir) pôr a mão na massa, a versão áudio desse texto se encontra aqui.

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O que é um bom amigo?

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Parece que todos crescemos com a ideia de que os nossos melhores amigos são aqueles que estão sempre presentes, sempre ali do nosso lado. Talvez isso seja algo que venha com a gente desde o tempo de escola – afinal, nós víamos os nossos colegas todos os dias. Chegamos aos vinte e tantos, depois do período de faculdade/curso, e às vezes nos perguntamos para onde todos nossos amigos foram. Fomos abandonados? Será que não dar bom dia todos os dias é realmente um sinal de falta de afeto com você? Será que não ver nossos colegas pelo menos uma vez por semana significa fim da amizade? E esses seus amigos que estão sempre presentes na sexta-feira para uma cerveja? Será que esses são os seus amigos verdadeiros? Se amizade pudesse ser calculada, com certeza não seria uma soma simples, mas sim uma equação cheia de variáveis.

Sendo assim, celebrando o dia deles que está para vir, fiz uma lista de coisas para você pensar (e repensar) sobre seus amigos:

Amigos de verdade estão presente nos tempos bons e nos tempos ruins
É comum ouvirmos para termos cuidado com quem só aparece quando tudo está bom, mas é importante também adicionar o oposto: cuidado com quem só está presente quando tudo está ruim. Existem pessoas tóxicas e invejosas que somem nos momentos de celebração. Portanto, seus amigos verdadeiros irão celebrar com você e te ajudar em tempos difíceis.

…mas isso não significa o tempo inteiro
Todos temos trabalho, estudos, filhos, marido/esposa, projetos… Não estar presente em todos os momentos não significa falta de amizade ou descaso. No entanto, você vai reconhecer um amigo de verdade quando, mesmo distante, ele aparece para te apoiar e te ajudar quando você precisa. Não confunda presença constante/grude com amizade. Mandar GIFs de bom dia com uma rosa e/ou gatinhos diariamente não significa absolutamente nada.

Amigos sabem receber não
Seus amigos respeitam seus próprios limites, e respeitam o seu. Alguém que exige que você aceite tudo o que é pedido, e se você disser um “não” o inferno sobe à Terra ou essa pessoa pára de falar com você por conta disso, preciso dizer que isso não é amizade saudável, e sim uma amizade tóxica e abusiva. E você, sabe dizer não e receber não?

…e eles têm palavra
Uma coisa que você deve prestar atenção em qualquer pessoa são as promessas (e qualquer tipo de acordo/combinado) que são feitas. Pessoas que falam uma coisa e fazem outra não são amigas. Se você não pode confiar na palavra de alguém, você não pode confiar nesse alguém, seja lá para o que for. Mentiras, “bolos” e quebras de promessas constantes são um grande indício de amizade falsa (e de desrespeito com você). Cuidado com amizades que prometem muito, e fazem pouco. Melhor ter uma amizade que promete pouco e cumpre o que fala.

Amigos verdadeiros não vão concordar com você sempre
Eles dão puxão de orelha quando você merece, e a sinceridade é prioridade. Quem sempre concorda com você, não importa o que você faça, está muito provavelmente alimentando comportamentos que você não deveria ter. Às vezes amigos falam coisas que você não quer ouvir, mas é para o seu bem. Eles querem que você melhore como pessoa – e isso sim é cuidar de alguém.

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Trancafiados: como sobreviver em paz com o seu parceiro e com a sua família durante a quarentena

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Nessas últimas semanas a situação do país ficou complicada em vários aspectos. A insegurança em relação ao futuro está batendo nas nossas portas, ao mesmo tempo que bate uma sensação de impotência – afinal, precisamos ficar em casa. A quarentena mudou a rotina de todos, e, por mais que gostemos e amemos as pessoas com quem moramos, ficar debaixo do mesmo teto 24h por dia pode ser bem frustrante. Precisamos de “ar fresco” de vez em quando, e todas as restrições estão deixando as nossas interações mais difíceis, exponencializando os problemas que antes eram pequenos ou talvez sequer existentes. Por isso, vale a pena se atentar a algumas regras de boa convivência que já seriam importantes no dia a dia normal, mas são muito mais importantes agora:

Tempo junto e tempo separado:
O tempo junto com seu parceiro é fundamental, mas o tempo separado também. Quando estamos trancafiados dentro de casa, esse tempo pode se tornar difícil de conseguir. Dê um espaço para seu parceiro trabalhar ou fazer o que for do interesse dele, e faça o mesmo. Caso isso não venha naturalmente entre vocês, considere separar horários específicos para atividades individuais.

Bom humor:
Bom humor sempre foi importante, mas é fundamental agora. Tente ver as coisas de uma forma positiva, afinal, trazer mais negatividade para dentro de casa no momento em que vivemos não é necessário. Desligue um pouco a sua mente das tragédias, e veja algo que lhe faz bem. Ria junto com as pessoas que você ama. Veja séries, jogue jogos de tabuleiro. A situação está séria, mas você pode viver a sua vida em casa de uma maneira mais positiva.

Preste atenção nos seus comportamentos e reações:
Muitas vezes alimentamos conflitos apenas porque não estamos completamente presente no momento, agindo impulsivamente. Estando em casa o tempo inteiro, sem um momento para respirar, isso pode se tornar catastrófico. Reflita mais, reaja menos.

Caso haja uma briga, dê uma pausa para respirar:
Isso não significa ficar mudo e ignorar seu parceiro – jamais faça isso. Literalmente peça um tempo para você. Quando estamos no calor do momento tendemos a dizer muita coisa que não precisamos, que não são construtivas, muito pelo contrário. Você vai ver que se você parar um pouco para refletir e esfriar a cabeça, evitará muitos problemas.

Assuma seus erros e peça desculpas:
Muitas vezes respondemos à uma reclamação com outra, fazendo um bate e volta, para esquivarmos dos nossos erros. Isso não é construtivo e pode gerar uma briga desnecessária. Assuma seu erro, peça desculpas e não puxe problemas do passado. Seja mais responsável, e talvez você vire um bom exemplo para o seu parceiro também.

Dê o benefício da dúvida:
Vilanizamos o comportamento das pessoas ao nosso redor constantemente. Procuramos motivos para fulano ter feito isso ou aquilo. Um esquecimento pode ser facilmente interpretado como uma pequena vingança. Isso cria um ambiente tóxico e um efeito bola de neve, pois obviamente traz frustração para o acusado, que pode responder da mesma forma. Tente entender a situação ao invés de ver tudo com uma pitada de crueldade.

Tenha empatia, e deixe discussões desnecessárias de lado:
Estamos tendo muitas divergências políticas com amigos e parceiros, e muitos chegam à um nível passivo-agressivo para tentar mostrar que o seu lado está certo. Você não vai convencer ninguém, então deixe de bobeira, pois isso pode custar muito caro no final. Lembre-se que independente da visão política do seu parceiro ou dos seus familiares, todos querem que a epidemia suma o mais rápido possível, e ninguém quer mais tragédia. Tenha empatia com as pessoas próximas, assim como você quer que as pessoas tenham com você. Desafiar a visão das pessoas já é ruim em tempos normais, e fica dez vezes pior quando somos desafiados em confinamento, sem ter para onde ir para evitar conflito.

Gratidão:
Nós nos acostumamos muito rápido com as coisas boas, especialmente aquelas que acontecem todos os dias em nossa casa. Nossa adaptação hedonística faz com que vejamos tudo que é bom rapidamente como normal e costumeiro, o que causa uma certa ingratidão da nossa parte. Agradeça ao seu marido quando ele lavar a louça, ou à sua mulher quando ela der banho nas crianças. Todos queremos nos sentir valorizados, especialmente em nossos lares. Lembre-se: quando nos sentimos valorizados pelos nossos atos, tendemos a repetí-los.

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Quando só você luta pelo relacionamento: o parceiro solitário

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Um relacionamento deveria, pelo menos em teoria, ser um envolvimento e um esforço mais ou menos igual de ambos os parceiros. No entanto, a gente sabe que o famoso “deveria” quase sempre não é a realidade.

É muito comum aparecerem no meu consultório pessoas que realmente querem salvar o relacionamento ou o casamento, que estão dispostas a negociar e resolver os problemas existentes naquele microcosmo. Só que, muitas vezes, depois de algumas tentativas de negociação frustradas e se vendo em risco de perderem o parceiro difícil, começam a simplesmente aceitar uma desigualdade na invisível (porém de extrema importância) balança do relacionamento. A velha frase “um peso, duas medidas” começa a ecoar todos os dias. E a balança fica mais e mais pesada para um dos lados. Um grande perigo mora na frase “decidi me calar e aceitar”.

A verdade é que essa aceitação de injustiça, por mais que seja feita com boas intenções, acaba destruindo ainda mais a possibilidade desse relacionamento sobreviver, pelo menos em um nível aceitável. Uma coisa muito comum é o nascimento de um ressentimento por parte do lado da pessoa que quer salvar o relacionamento a todo custo. Por mais que a pessoa diga a si mesma que aceita o que está acontecendo, sua mente aos poucos vai colocando tudo o que está fazendo em uma espécie de caderneta de dívidas. Conscientemente, podemos aceitar a situação e tentar racionalizá-la, que “é para o futuro do casal”. Mas algo lá atrás, lá no fundo da mente clama por justiça. E aos poucos começam a surgir pequenos atos passivo-agressivos, pequenas birras, até descontroles emocionais aqui e alí. Os sorrisos começam a azedar. Os olhares começam a tender para a indiferença. Na frente de um parceiro que já não quer negociar, geralmente isso é visto como mais munição para injustiça.

A verdade é que aceitar tudo para um bem temporário não adianta de nada. Você está alimentando o comportamento de um parceiro que não vê o seu lado, e também está destruindo lentamente ainda mais o relacionamento com a raiva (justificável) que lhe toma por dentro. O parceiro que não quer negociar se vê ainda mais confortável com a situação, pois você parou de lutar por um equilíbrio. Sendo assim, o se calar para o bem do relacionamento se torna um ciclo, que só aumenta na toxicidade. Você não está gostando da situação e aturando de “boca calada” para salvar um relacionamento que, sem conversa, não irá melhorar. Então, pense: se calar por quanto tempo? E por quê? O que você realmente ganha com isso?

Claro, nada impede de um parceiro finalmente ver o seu lado e consertar os erros. Às vezes isso toma tempo e milhões de pequenos passos, e muitas vezes até a terapia de casal se vê necessária. Mas o que podemos falar dos casos que não são os de sucesso? Quando tudo possível já foi tentado, e nada melhorou?

Talvez seja o momento de você se questionar:

Se houvesse um equilíbrio, que é exatamente o que você tanto procura, será mesmo que essa pessoa ainda estaria interessada em estar com você? Será que não é justamente por causa de ela ser a pessoa com todos os benefícios que ela ainda está nesse relacionamento? E se for esse o caso? Você não estaria num relacionamento com uma pessoa que não te respeita?

E, se você está em um relacionamento com alguém que não te respeita, por que fica? Por que fica, mesmo sabendo que nada vai melhorar, e que nada será de peso igual para as duas partes do relacionamento? Por que fica, sabendo que a frustração não é temporária, e que você está tentando aceitar injustiça como uma nova forma de vida? Será que não há um medo da solidão? De tentar mais uma vez, com uma pessoa nova? Ou será que é justamente o seu padrão de relacionamentos criado na sua infância que te faz ficar em um relacionamento infeliz, tentando mudá-lo? Claro, essas perguntas podem e devem ser trabalhadas na terapia.

Lembre-se que relacionamento saudável significa duas pessoas que se gostam e querem o bem uma da outra. Querem trazer felicidade para o outro. Quando o outro vê que você está infeliz e que o relacionamento está injusto, porém essa pessoa se vê muito confortável na situação dela, será que é esse o relacionamento que você merece? Uma relação de apenas uma via? Cadê o seu valor?

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Origens da codependência

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Quando falamos de codependência, muitos pensam que o termo está sempre associado à uma pessoa emocionalmente ligada a um dependente químico, seja essa dependência química o álcool ou drogas ilícitas. Logo, quando menciono o codependência no consultório, dúvidas surgem: como eu posso ser codependente? Não existe abuso de substâncias na minha casa.

A verdade é que o termo, na época que fora criado, era especificamente relacionado ao abuso de substâncias. No entanto, hoje sabemos que a codependência pode existir em qualquer relacionamento com pessoas emocionalmente manipuladoras. Mas a dúvida persiste: por que algumas pessoas se tornam codependentes e outras não? Por que codependentes geralmente pulam de um relacionamento tóxico para outro?

Assim como muitos outros problemas e padrões que trabalhamos no consultório, a codependência tem suas raízes na infância. Codependentes nascem em lares instáveis, onde há manipulação emocional e onde o amor é condicional. Isto é, se a criança não agir da maneira perfeita, ela sofrerá abandono e/ou abuso.

A criança em um lar assim cresce aprendendo a controlar e vigiar o humor de seus pais e abandonar sua verdadeira identidade, seu verdadeiro eu, para agradá-los. É uma questão de sobrevivência – afinal, toda criança precisa de um cuidador. Sendo assim, aprende a “dançar a dança” do manipulador, transformando sua própria vida em um teatro, onde ela está sempre bem, ou melhor, finge estar. Resumindo: é aprendido na infância que, para obter afeto, é preciso ser “perfeito” para o outro, de acordo com o que esse outro considerar perfeição. Tudo gira em torno do cuidador, que molda o gosto e a personalidade da criança, pelo menos em um nível superficial, dando em troca disso tudo uma pequena dose de afeto condicional, que a criança tanto necessita.

Esse padrão de abdicar-se de si mesmo para agradar o outro a qualquer custo continua após a infância, podendo ser visto especialmente em relacionamentos amorosos. Afinal, é o que aprendemos no passado que vira a nossa regra interna. É o tipo de amor que ganhamos na infância que geralmente procuramos no futuro; não por ser saudável, mas por ser o conhecido. Sendo assim, uma criança que nasceu e cresceu em um lar com narcisistas pode se ver entrando em relacionamentos com pessoas parecidas, e recusando relacionamentos e até mesmo amizades com pessoas mais saudáveis. O conforto do conhecido, mesmo que ruim, pode ser melhor (a curto prazo) do que o desconhecido. Sendo assim, codependentes correm o risco de largarem um manipulador emocional para irem para outro, gerando assim um ciclo de altos e baixos e infelicidade.

Na terapia, o codependente aprende a quebrar o ciclo de abuso e também aprende a procurar (e lidar com) formas mais saudáveis de relacionamento (amorosos ou não), onde o seu eu pode existir e é aceito.

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Assim como o relacionamento, sexo também precisa ser conversado

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Já conversamos sobre a diferença de quem procura uma alma gêmea e de quem acredita no crescimento do relacionamento, e como o segundo grupo consegue encontrar um relacionamento satisfatório, enquanto os que acreditam em alma-gêmea pulam de relacionamento em relacionamento sem trabalhar neles, à procura de uma perfeição que não existe. No entanto, o que não conversamos ainda é que, mesmo os casais que acreditam em crescimento e negociação tendem a evitar um tópico em particular: o sexo.

É algo que vejo até no consultório. Sexo, na maioria das vezes, é um tópico que é evitado, mesmo quando existe um problema óbvio, que nem o paciente poderia negar. Considerando que o assunto é visto como tabu até na terapia (onde podemos e devemos falar sobre todas as nossas aflições), é fácil imaginar que é ainda menos conversado com parceiros. E é aí que mora o perigo.

Apesar de sexo definitivamente não ser tudo em um relacionamento amoroso, ele é um dos ingredientes principais. Não estou falando de quantidade nem de nada em específico, mas de compatibilidade. A insatisfação sexual pode ser a causa de rompimentos e brigas que muitas vezes se apresentam como motivos secundários, usados como desculpa.

Realmente, não é fácil conversar sobre o assunto. Muitas vezes, associamos a insatisfação sexual com um relacionamento abalado, fraco. Às vezes, associamos até com falta de amor. A  mídia mostra como se em todos os relacionamentos bons, o sexo fosse completamente perfeito, sempre cenas de filme. Sentimos a necessidade de fingir que está tudo perfeito quando não está, para o bem de quem está ao nosso lado. Não queremos magoar o nosso amor, muito menos trazer insegurança. Queremos que nossos parceiros também se sintam dignos a um amor de filme romântico, e seja lá qual for o nosso problema, acreditamos que irá desaparecer com o tempo. Nisso, vão-se meses, anos de insatisfação, e a bola de neve de ressentimento só cresce, até que o inevitável acontece. Muitas vezes, um pequeno problema que poderia ter sido discutido (e resolvido) causa uma insatisfação enorme caso seja escondido por por muito tempo, podendo causar rompimentos em relacionamentos que poderiam ter durado muito mais. Lembre-se que, mesmo quando temos um tapete grande, há um limite do que podemos varrer para debaixo dele. Problemas não desaparecem com o tempo, eles se acumulam.

Tudo pode ser trabalhado e negociado, inclusive o que acontece debaixo dos lençóis. Não existe perfeição, seja na cama ou fora dela. Por outro lado, esconder nossos desejos ou desencantos também não é o ideal. A solução? Comunicação. Caso você se encontre com esse problema, talvez seja a hora de uma conversa honesta com o seu amor. Tente ser o mais específico e o mais aberto possível. Pense, comunique, e pergunte ao seu parceiro(a) também:

O que você gosta? O que realmente te excita na cama?
O que te incomoda agora? Como poderia melhorar?
O que faz você se sentir conectado ao seu parceiro?

Casais mais abertos na comunicação, seja de cunho sexual ou não, são mais felizes. Lembre-se que vocês são um time, e um time precisa trabalhar junto.

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