Quando só você luta pelo relacionamento: o parceiro solitário

wolf-3158282_1920

Um relacionamento deveria, pelo menos em teoria, ser um envolvimento e um esforço mais ou menos igual de ambos os parceiros. No entanto, a gente sabe que o famoso “deveria” quase sempre não é a realidade.

É muito comum aparecerem no meu consultório pessoas que realmente querem salvar o relacionamento ou o casamento, que estão dispostas a negociar e resolver os problemas existentes naquele microcosmo. Só que, muitas vezes, depois de algumas tentativas de negociação frustradas e se vendo em risco de perderem o parceiro difícil, começam a simplesmente aceitar uma desigualdade na invisível (porém de extrema importância) balança do relacionamento. A velha frase “um peso, duas medidas” começa a ecoar todos os dias. E a balança fica mais e mais pesada para um dos lados. Um grande perigo mora na frase “decidi me calar e aceitar”.

A verdade é que essa aceitação de injustiça, por mais que seja feita com boas intenções, acaba destruindo ainda mais a possibilidade desse relacionamento sobreviver, pelo menos em um nível aceitável. Uma coisa muito comum é o nascimento de um ressentimento por parte do lado da pessoa que quer salvar o relacionamento a todo custo. Por mais que a pessoa diga a si mesma que aceita o que está acontecendo, sua mente aos poucos vai colocando tudo o que está fazendo em uma espécie de caderneta de dívidas. Conscientemente, podemos aceitar a situação e tentar racionalizá-la, que “é para o futuro do casal”. Mas algo lá atrás, lá no fundo da mente clama por justiça. E aos poucos começam a surgir pequenos atos passivo-agressivos, pequenas birras, até descontroles emocionais aqui e alí. Os sorrisos começam a azedar. Os olhares começam a tender para a indiferença. Na frente de um parceiro que já não quer negociar, geralmente isso é visto como mais munição para injustiça.

A verdade é que aceitar tudo para um bem temporário não adianta de nada. Você está alimentando o comportamento de um parceiro que não vê o seu lado, e também está destruindo lentamente ainda mais o relacionamento com a raiva (justificável) que lhe toma por dentro. O parceiro que não quer negociar se vê ainda mais confortável com a situação, pois você parou de lutar por um equilíbrio. Sendo assim, o se calar para o bem do relacionamento se torna um ciclo, que só aumenta na toxicidade. Você não está gostando da situação e aturando de “boca calada” para salvar um relacionamento que, sem conversa, não irá melhorar. Então, pense: se calar por quanto tempo? E por quê? O que você realmente ganha com isso?

Claro, nada impede de um parceiro finalmente ver o seu lado e consertar os erros. Às vezes isso toma tempo e milhões de pequenos passos, e muitas vezes até a terapia de casal se vê necessária. Mas o que podemos falar dos casos que não são os de sucesso? Quando tudo possível já foi tentado, e nada melhorou?

Talvez seja o momento de você se questionar:

Se houvesse um equilíbrio, que é exatamente o que você tanto procura, será mesmo que essa pessoa ainda estaria interessada em estar com você? Será que não é justamente por causa de ela ser a pessoa com todos os benefícios que ela ainda está nesse relacionamento? E se for esse o caso? Você não estaria num relacionamento com uma pessoa que não te respeita?

E, se você está em um relacionamento com alguém que não te respeita, por que fica? Por que fica, mesmo sabendo que nada vai melhorar, e que nada será de peso igual para as duas partes do relacionamento? Por que fica, sabendo que a frustração não é temporária, e que você está tentando aceitar injustiça como uma nova forma de vida? Será que não há um medo da solidão? De tentar mais uma vez, com uma pessoa nova? Ou será que é justamente o seu padrão de relacionamentos criado na sua infância que te faz ficar em um relacionamento infeliz, tentando mudá-lo? Claro, essas perguntas podem e devem ser trabalhadas na terapia.

Lembre-se que relacionamento saudável significa duas pessoas que se gostam e querem o bem uma da outra. Querem trazer felicidade para o outro. Quando o outro vê que você está infeliz e que o relacionamento está injusto, porém essa pessoa se vê muito confortável na situação dela, será que é esse o relacionamento que você merece? Uma relação de apenas uma via? Cadê o seu valor?

Para marcação de consultas (online ou presencial em Petrópolis):
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750

Assim como o relacionamento, sexo também precisa ser conversado

bed-1822497_1920

Já conversamos sobre a diferença de quem procura uma alma gêmea e de quem acredita no crescimento do relacionamento, e como o segundo grupo consegue encontrar um relacionamento satisfatório, enquanto os que acreditam em alma-gêmea pulam de relacionamento em relacionamento sem trabalhar neles, à procura de uma perfeição que não existe. No entanto, o que não conversamos ainda é que, mesmo os casais que acreditam em crescimento e negociação tendem a evitar um tópico em particular: o sexo.

É algo que vejo até no consultório. Sexo, na maioria das vezes, é um tópico que é evitado, mesmo quando existe um problema óbvio, que nem o paciente poderia negar. Considerando que o assunto é visto como tabu até na terapia (onde podemos e devemos falar sobre todas as nossas aflições), é fácil imaginar que é ainda menos conversado com parceiros. E é aí que mora o perigo.

Apesar de sexo definitivamente não ser tudo em um relacionamento amoroso, ele é um dos ingredientes principais. Não estou falando de quantidade nem de nada em específico, mas de compatibilidade. A insatisfação sexual pode ser a causa de rompimentos e brigas que muitas vezes se apresentam como motivos secundários, usados como desculpa.

Realmente, não é fácil conversar sobre o assunto. Muitas vezes, associamos a insatisfação sexual com um relacionamento abalado, fraco. Às vezes, associamos até com falta de amor. A  mídia mostra como se em todos os relacionamentos bons, o sexo fosse completamente perfeito, sempre cenas de filme. Sentimos a necessidade de fingir que está tudo perfeito quando não está, para o bem de quem está ao nosso lado. Não queremos magoar o nosso amor, muito menos trazer insegurança. Queremos que nossos parceiros também se sintam dignos a um amor de filme romântico, e seja lá qual for o nosso problema, acreditamos que irá desaparecer com o tempo. Nisso, vão-se meses, anos de insatisfação, e a bola de neve de ressentimento só cresce, até que o inevitável acontece. Muitas vezes, um pequeno problema que poderia ter sido discutido (e resolvido) causa uma insatisfação enorme caso seja escondido por por muito tempo, podendo causar rompimentos em relacionamentos que poderiam ter durado muito mais. Lembre-se que, mesmo quando temos um tapete grande, há um limite do que podemos varrer para debaixo dele. Problemas não desaparecem com o tempo, eles se acumulam.

Tudo pode ser trabalhado e negociado, inclusive o que acontece debaixo dos lençóis. Não existe perfeição, seja na cama ou fora dela. Por outro lado, esconder nossos desejos ou desencantos também não é o ideal. A solução? Comunicação. Caso você se encontre com esse problema, talvez seja a hora de uma conversa honesta com o seu amor. Tente ser o mais específico e o mais aberto possível. Pense, comunique, e pergunte ao seu parceiro(a) também:

O que você gosta? O que realmente te excita na cama?
O que te incomoda agora? Como poderia melhorar?
O que faz você se sentir conectado ao seu parceiro?

Casais mais abertos na comunicação, seja de cunho sexual ou não, são mais felizes. Lembre-se que vocês são um time, e um time precisa trabalhar junto.

Para marcação de consultas (online ou presencial em Petrópolis):
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750
(24) 98187-4040

Perdão, justiça, punição e relacionamentos

people-3163556_640

É apenas bom senso deixar pequenos erros dos outros de lado. Se irritar por coisas bobas é perda de tempo e de energia, além de possivelmente drenar nossos relacionamentos a longo prazo. Ninguém é perfeito, então é de se esperar que pessoas com quem convivemos nos aborreçam/magoem de vez em quando, assim como nós faremos o mesmo com elas. O que eu quero dizer é, uma roupa deixada no chão (ou qualquer coisa pequena que você queira imaginar aqui) uma vez não é motivo para brigar com o seu parente ou parceiro, nem motivo para deixar notinhas passivo-agressivas pela casa. Aliás, ser passivo-agressivo nunca é a solução para nada, mas essa conversa fica para outro dia.

No entanto, o que fazer quando se trata de transgressões graves?

O que fazer quando realmente sofremos após um ato grave feito por alguém que amamos? Após o erro, um desequilíbrio se instaura no relacionamento (não necessariamente amoroso) e, obviamente, precisamos tomar uma atitude perante isso. Muitas pessoas se perguntam o que fazer quando isso acontece: Devo apenas perdoar? Devo me vingar? Ou fazer tratamento de silêncio?

A resposta para essa pergunta é: nenhuma das opções anteriores.

Nessas situações de injustiça, podemos responder de várias formas:

1) Apenas perdoar, e acreditar que não acontecerá novamente.
2) Cometer um tipo de justiça punitiva. Exemplos: tratamento de silêncio, pagar na mesma moeda, humilhação virtual ou pública…
3) Aplicar a justiça restauradora.
4) Não perdoar e cortar os laços. É sempre uma opção (e, algumas vezes, a certa), mas não é o assunto deste texto. Logo, não vamos trabalhar no nº4.

Com isso em mente, vou colocar aqui uma situação, os exemplos de resposta e suas consequências:

Situação:

João e Maria são casados. Em um churrasco, Maria bebeu demais e “pagou mico”: falou demais (como a maioria dos bêbados fazem), e compartilhou detalhes íntimos sobre ela e seu marido. João se aborreceu, obviamente. Maria não tinha 15 anos e deveria controlar sua bebida. Além disso, ela não deveria falar detalhes íntimos sobre os dois sem falar previamente com ele. Ele a carregou para casa, e no dia seguinte ela não se lembrava muito do que tinha acontecido; já ele, se lembrava muito bem, e estava extremamente magoado.

João poderia responder das seguintes maneiras:

1) Fingir que nada aconteceu, ou apenas contar o que aconteceu e não falar sobre seus próprios sentimentos, como se não tivesse acontecido nada importante, perdoando o ato.
Obviamente, tomando essa decisão, João continuaria se sentindo magoado e injustiçado, talvez “acumulando raiva” para uma briga no futuro, o que poderia destruir o relacionamento eventualmente. Além disso, Maria não aprendeu nada nessa situação. Ela não viu nenhuma consequência em seu comportamento, deixando assim uma brecha para a repetição da bebedeira, o que, obviamente, pioraria o relacionamento do casal. Resumindo, isso seria danoso não somente para João, mas também para o casal.

2) Justiça punitiva: João poderia encher a cara no próximo churrasco, para sua esposa “sentir na pele” o que ele sentiu.
Dois problemas não criam solução, e sim um problemão. João pode até se sentir bem momentaneamente fazendo isso, mas não vai durar muito. A verdade é que nada foi resolvido, o ressentimento voltará, e não apenas para João, mas agora também para Maria, que ficará magoada com o comportamento de seu marido.

Outro exemplo de justiça punitiva: tratamento de silêncio.
João poderia não explicar nada e simplesmente não falar com Maria até ela pedir desculpas, ou até ele “perdoar” por si mesmo (o que voltaria para o caso 1). Sem ouvir o problema e os sentimentos de João, Maria pediria desculpas, mas nada garante que esse pedido seja honesto.

Na melhor das hipóteses, Maria teria aprendido a lição: teria se arrependido honestamente e não repetiria mais a bebedeira. Ela veria que magoou seu marido, e aprenderia com o seu erro.

No entanto, sem receber um feedback de seu marido, de como ele se sentiu, e o impacto que aquilo causou no relacionamento, Maria poderia muito bem achar o tratamento de silêncio uma atitude infantil e exagerada de João, pedindo desculpas apenas para amenizar as coisas. Isto é, haveria uma probabilidade de Maria não entender a gravidade da situação. Novamente, João pode se sentir bem com a “vingança” e com o pedido de desculpas de sua esposa (que pode muito bem ser um pedido de desculpas completamente vazio), mas não por muito tempo.

3) Justiça restauradora:
João não se sente confortável e não quer conversar por um tempo, o que é direito dele – afinal, ele está magoado. Porém, ao contrário da situação anterior, João senta com Maria no dia seguinte e expressa como se sentiu, algo como:
“Olha, eu não quero papo por um tempo. Você me magoou muito com o jeito que se portou ontem.” Prosseguindo com mais explicações, e mostrando como isso afetou o relacionamento, pedindo para que isso não aconteça novamente.

Ao escutar seu marido, Maria não tem dúvidas da gravidade do que aconteceu, e de como tudo isso causou um impacto em seu relacionamento com João. Uma via de comunicação saudável entre o casal abre mais possibilidade para um pedido de desculpas honesto de Maria, assim como uma solução real para o problema, ao invés de varrê-lo para debaixo do tapete. Se Maria for razoável, ela entenderá o problema e não repetirá o ato. Claro, tudo ainda está fresco na memória de João, e nada é perdoado imediatamente; ele tem todo o direito de continuar aborrecido por um tempo, é apenas natural. No entanto, expressando para sua esposa como se sentiu e com um pedido de desculpas sincero dela, o perdão será verdadeiro, e não algo que ficará corroendo no fundo de sua mente por tempo indeterminado.

Resumindo:

Nunca ache que a outra pessoa lê a sua mente. Uma comunicação aberta e honesta é essencial para a resolução real do problema. Se está com muita raiva no calor do momento, tudo bem: se afaste e depois converse com calma, explicando todos os pontos. Perdoar por perdoar não apenas cria um desequilíbrio no relacionamento (romântico ou não), mas também o torna tóxico. Além disso, deixar erros graves de lado faz com que a outra pessoa não veja a mesma seriedade destes, deixando-a mais propensa à repetição dos mesmos. Afinal, é necessário que esta veja o dano que causou para poder fazer um pedido de desculpas honesto e aprender com o erro. Por último, lembre-se que vingança pode parecer a melhor solução no calor do momento, mas elas são apenas temporárias. Elas fazem com que os problemas voltam depois, cada vez maiores, como uma bola de neve.

Para marcação de consultas (online ou presencial):
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750

Sexo: perguntas que você precisa fazer ao seu parceiro antes do casamento

wedding-1745240_640

Por mais que um casamento seja muito mais do que sexo, relacionamentos íntimos são importantes para a manutenção de um. Na clínica, vejo muitos dos meus clientes com problemas que poderiam ter sido evitados caso uma conversa tivesse sido tida com seus parceiros antes de “fechar o contrato”. A falta de verdadeira intimidade com seu parceiro pode criar sérios problemas no futuro, inclusive o divórcio. Portanto, antes de tomar o próximo passo, veja se esses assuntos já foram discutidos:

Você possui alguma fantasia sexual? Preferências?
Apesar de nem todos os parceiros possuírem fantasias, considere também as preferências sexuais em geral neste mesmo tópico. Quando os parceiros estão no começo de um relacionamento, é comum esconder maiores intimidades, que geralmente aparecem aos poucos. No entanto, às vezes o assunto é importante e não é discutido por vergonha, o que pode levar à frustração em longo prazo. Um exemplo aqui são os fetiches: e se o seu parceiro tiver um? Isso precisa ser conversado, e um acordo que seja satisfatório para os dois precisa ser encontrado.

Você gosta de sexo? De quanto em quanto tempo você acha uma periodicidade saudável?
No começo do relacionamento muitos parceiros exageram na quantidade, seja para agradar o parceiro ou porque acha que é o certo. Algumas pessoas sequer se importam com o ato, e só fazem porque “faz parte”. Uma pessoa que quer ter relações uma vez ao ano terá problemas com uma outra que quer ter cinco vezes ao dia. Isso tudo deve ser conversado. Não existe uma periodicidade ideal, e sim uma periodicidade que agrade a ambos.

Você possui algum problema sexual que eu não sei?
Disfunções seja por depressão ou qualquer outro motivo precisam ser mencionados, assim como qualquer problema genital. Traumas sexuais também precisam ser conversados, seja em particular ou junto com um terapeuta.

Você quer ter filhos?
É uma pergunta que não tem a ver com sexo, mas tem a ver com o resultado do ato. Quais são as expectativas de cada um para o futuro? Vocês dois querem filhos? Se sim, quantos? Qual seria o método de criação? Se não, vocês sempre usarão algum contraceptivo? Se sim, qual? Seu parceiro tem algo contra camisinha? Essas perguntas precisam ser respondidas para evitar brigas ou surpresas no futuro.

Como foram os seus relacionamentos anteriores?
Não podemos dizer que pessoas que já traíram sempre trairão, mas se o seu parceiro teve cinco relacionamentos e em todos eles houve traição por parte dele, interprete isso como um mau sinal. Não somente traição, mas qualquer tipo de repetição deve ser levado em conta: abandono, falta de interesse, raiva, etc.

Por último, lembre-se que não existem casais perfeitos e 100% compatíveis, e sim pessoas dispostas a negociar e a chegar em um acordo que agrade a ambos. A ideia de que qualquer diferença pode ser eliminada apenas no convívio é muito bonita, mas é uma ilusão. Muitas diferenças podem ser eliminadas sim, porém há a necessidade de saber se existe um caminho para isso, se os dois estão dispostos a negociar e o quanto estão dispostos a ceder.

Para marcação de consultas (online ou presencial):
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750