Perdendo a concentração? Pode ser o seu celular

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Você anda sentindo que a sua memória não é a mesma? Ou que sua habilidade para focar simplesmente sumiu? Talvez seja o seu aparelhinho aí do seu lado.
Por favor, como psicóloga, não estou aqui para dizer que problemas sérios como o Transtorno do Déficit de Atenção não existem. Nada disso. Muito pelo contrário! Mas, é óbvio que certos ambientes e pessoas podem nos afetar proundamente – às vezes a ponto de nos sentirmos doentes. Todos sabemos disso, certo? Objetos não são exceção – especialmente quando estes são praticamente ‘vivos’.

Os celulares, especialmente os smartphones, nos trazem milhares de benefícios: podemos checar nossos e-mails, tirar fotos, mandar mensagens, ver novidades no facebook, assistir vídeos… Enfim, considerando que grande parte da população têm um smartphone, não preciso me alongar em suas vantagens – dessas, a grande maioria já sabe. Porém, ficar “antenado” o tempo inteiro pode trazer consequências, como, por exemplo, um constante estado de vigia, esperando a próxima interação, o próximo like, o próximo e-mail. Quantas vezes você interrompeu a atividade que estava fazendo para dar uma espiada no celular? Quantas vezes você não aguentou e teve que pegar o seu celular no meio da aula, reunião, ou até mesmo enquanto conversava com um amigo?

Considerando a distração causada pelos aparelhos, pesquisadores da Universidade do Texas em Austin resolveram fazer uma experiência: Diversas pessoas foram alocadas para mesas, para fazer um teste que media a atenção e a capacidade cognitiva. Para alguns, os pesquisadores apenas pediram que os celulares fossem desligados e colocados com a tela para baixo, em cima da mesa. Para outros, o celular deveria ficar dentro da bolsa ou mochila, enquanto, para um terceiro grupo, foi pedido para que seus celulares fossem levados para outro ambiente enquanto esses faziam o teste.

Os resultados do estudo apenas comprovaram o que muitos de nós provavelmente já imaginávamos: as pessoas que estavam com seus celulares em outro ambiente tiveram notas significantemente melhores do que as pessoas com o celular na mesa. Até as pessoas que colocaram o celular na bolsa/mochila obtiveram melhores resultados no teste do que o grupo com o aparelho na mesa.

Obviamente, o nosso cérebro acaba tão acostumado em checar o aparelho que, até mesmo quando ele está desligado nós pensamos nele, especialmente se ele estiver perto. Aliás, não somente isso: gastamos nossa atenção e energia pensando em não pensar nele! Nossa capacidade cognitiva e atenção não são ilimitadas, e gastamos uma boa parte de nossos recursos mentais usando o celular. O usuário de smartphone o utiliza em média 85 vezes por dia, desde a hora que acorda até a hora de dormir – sem contar que muitos usam o celular quando acordam no meio da noite, para fazer aquele pit stop no banheiro. Conhece alguém assim? Não é tão incomum quanto se imagina. Aliás, isso não ajuda em nada a voltar a dormir, já que a tela dos celulares causa insônia.

Claro, celulares são ótimos para comunicação, trabalho e até (ou especialmente) para diversão, mas precisamos parar para pensar o quanto estamos perdendo a atenção na vida real e na nossa produtividade por causa do aparelho. Seja num teste, na hora de escrever um post (como este) ou até mesmo conversando com alguém, deixe o celular de lado – mas de lado mesmo.

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Celulares

Os celulares de hoje em dia são ótimos. Eles tem absolutamente TUDO o que precisamos. Além do básico (ligar e mandar mensagem), temos agenda, GPS, internet, aplicativos para absolutamente tudo (até para conhecer pessoas que estão por perto), redes sociais etc. É definitivamente um grande avanço e com certeza tem um lado positivo. Mas vocês já perceberam como as pessoas cada vez mais estão mais alienadas do mundo real? Cada vez mais vemos famílias e amigos em mesas de restaurante, bares e cafés, ao invés de interagir com os que estão presentes, usando o celular e perdendo momentos importantes de comunicação presencial.

Os aparelhos cortam a comunicação entre pessoas, no mundo físico. Isto é, crianças, principalmente, deixam de aprender a se comunicar direito com uma pessoa que está na frente dela. Aprender a se relacionar na vida real é importante, e crucial para um casamento funcionar, por exemplo. A média de divórcios não está somente aumentando por traição, menos tempo de qualidade para o casal (e problemas vindos de redes sociais!), mas também porque as pessoas não sabem mais interpretar sinais dos parceiros, ou deixam de prestar atenção nos pequenos detalhes como mudança de tom de voz ou mudança facial, pois o contato olho a olho diminuiu drasticamente desde o uso de smartphones. E não estou falando que sou contra encontrar alguém online, mas inevitavelmente será necessário habilidades sociais reais para fazer o relacionamento acontecer e se manter.

Não perceber pequenas nuances de tons de voz e mudança de face são apenas pequenos problemas de uma grande lista. Os celulares, conforme estudos (o link do artigo se encontra no final do post), afeta os níveis cognitivos de pessoas que foram testadas. Testaram pessoas com um celular na mesa, e outras com o celular guardado. As pessoas com o celular na mesa renderam em média 20% a menos que as sem contato visual com o celular. Por quê? Uma grande possibilidade é que já ficamos esperando alguma mensagem ou ligação, mesmo sem estarmos usando o telefone, logo, perdemos uma boa parte da atenção. Além disso, se você é usuário de smartphone, provavelmente percebeu que sua memória piorou. Isso tem explicação: para uma memória de curto prazo se tornar uma memória de longo prazo precisamos de tempo de descanso, só que o problema é que estamos sempre estimulados por celulares, logo, nosso cérebro não tem o tempo necessário para recordar tudo o que deveria recordar.

Como se fosse pouco o que eu mencionei acima, nosso aparelhinho corta todas as nossas barreiras trabalho-casa. Isto é, muitos acabam respondendo clientes ou chefes fora de expediente, virando um trabalho 24h, e obviamente isso também influencia na vida familiar e social.

Portanto, o celular é bom, mas use com moderação!

https://www.psychologytoday.com/blog/glue/201501/is-your-smartphone-making-you-dumb
making-you-dumb