Desejar, Esperar e Adiamentos

Desejar e esperar são métodos de fugir da ação para realizar o que deseja. A verdade é que essas duas atitudes não realizam coisa alguma, além de serem desculpas para não fazer nada no presente.

Muitas pessoas pensam da seguinte forma: “É só esperar que as coisas irão melhorar”. Isto é, se simplesmente esperar e não fizer nada, talvez as coisas se resolvam sozinhas. É uma ótima desculpa para adiar uma ação, mas o grande problema é que, para grande parte das coisas, uma ação é necessária, logo, ficar sentado esperando a ação se resolver pode (e provavelmente irá) resultar em absolutamente nada.

Adiar as ações é um sistema cômodo, pois queremos ou devemos fazer algo, mas ficamos com medo de não fazer direito, falhar, ou até mesmo de ser chato. Sendo assim, dizemos à nós mesmos que faremos no futuro, não admitindo que provavelmente não iremos fazer nada, e assim nos aceitamos mais facilmente. Logo, adiando, você pode evitar atividades que envolvam algum risco, como fracassar. Se tiver sorte, ainda consegue que alguém faça o que você deveria fazer.

Outra forma de sabotagem é reclamar de tudo o que tem que fazer no momento presente, acabando por não fazer nada. Não esqueça que você não é o que você diz ser, mas sim o que você faz. Um ótimo exemplo é aquele “futuro escritor”. Sempre temos um sujeito desse em nossa vida. Ele diz que está com o livro pronto na cabeça, só precisar pôr a mão na massa e escrever, mas nunca o faz. Ele é um escritor?

Além disso, a maioria dos que não fazem estão geralmente criticando. É uma boa estratégia para não agir. “Falar é mais fácil do que fazer”, famosa frase que não diz nada além da pura verdade. Falar (criticar) só custa-lhe a voz, enquanto agir requer esforço, envolve riscos e mudanças. Criticar é uma projeção de sua própria ineficiência nas pessoas que estão, de fato, se esforçando. Aliás, não estou falando de crítica construtiva, mas de um “crítico profissional”. Quando você passa todo o seu tempo criticando, deixa de se desenvolver; não realiza nada.

Se deseja ver mudanças em sua vida, pare de se queixar e comece a fazer algo a respeito.

Deverias e Tradições

Nossa sociedade está cheia de tradições e “modos de fazer” que são absurdos, inúteis ou simplesmente não trazem um bom resultado pessoal, mas mesmo assim as fazemos porque é o “certo” e porque se encaixar na sociedade obviamente traz benefícios e muito menos responsabilidade pelas suas próprias atitudes. Afinal, se você fizer tudo “certo” e acontecer algo de errado na sua vida, a culpa não é sua, correto? Fazendo o “certo” você evita olhares desconfiados, desaprovação… Mas a que custo? Às vezes da sua própria felicidade.

Não estou sugerindo nenhuma revolta anarquista ou deprezo da lei. As leis são necessárias para se manter a ordem. Também não estou aqui para listar as inutilidades ou absurdos do mundo. Cabe a você julgar o que é importante e certo para você.

Uma tradição ou uma regra social passa a ser doentia quando é contraproducente ou entendiante (inútil) à você. É um sinal que você quer deu a sua liberdade de escolha e está deixando-a nas mãos de uma força externa.

Etiquetas sociais, por exemplo, são um bom exemplo de aculturação inútil. Boa parte delas são sem significado.. Você pode decidir por si mesmo o quanto dará de gorjeta, como vai se vestir e que horas e onde comerá. É importante determinar por si mesmo quais regras são realmente úteis e quais podem ser quebradas sem trazer prejuízo para si e para os outros. Ser obrigado a obedecer à todas as regras sociais o tempo inteiro é uma vida de escravidão emocional. É recompensador viver a vida em seus próprios padrões.

A autorrealização não pode ser obtida se somos completamente controlado pelos outros. Não somos robôs apenas seguindo regras. Certas normas sociais devem ser questionadas. O que é certo para os outros pode não ser para você. Lembre-se que o certo depende das condições e pessoas envolvidas, nenhuma situação é completamente igual à outra. Não necessariamente o certo é o bom e o justo. A palavra “CERTO” somente subentende que se algo for feito de uma devida maneira, terá mais probabilidade de ter resultados positivos. Mas, como já mencionei antes, nenhuma situação é igual à outra, logo o certo para os outros pode muito bem não funcionar bem para você.

Portanto, não é imperativo que esses “deve” e “não deve” sejam seguidos. Além de impedir a sua autorrealização, faz com que você interprete um papel que lhe gera tensão, e, honestamente, ninguém consegue ser algo que não deseja por muito tempo, pois procuramos o nosso bem-estar, o que é apenas natural.

Como mencionei em outro texto, os inovadores da história foram justamente os que foram além das regras, que não se importaram com olhares desaprovadores. Se você segue tudo o que é “certo”, como descobrirá novas coisas? Fique com a tradição e permanecerá o mesmo ou torne-se juiz de seus próprios atos e o mundo será seu.