Alguns mitos sobre relacionamentos

Casais felizes não discutem:
TODOS os casais discutem em algum momento. A diferença é na quantidade e na qualidade. O que eu quero dizer por qualidade da discussão é o quanto eles estão tentando consertar. Uma discussão construtiva faz com que o casal cresça junto e siga algo em que ambos concordam. Uma discussão tóxica não resulta em nada, e os parceiros, ao invés de tentarem consertar, tentam atingir um ao outro ou chegam a uma decisão que é injusta a uma das partes. Casais em bons relacionamentos tendem a discutir menos com o tempo, porque já entraram em acordo sobre vários assuntos.

Você tem que amar tudo o que seu parceiro faz:
Me desculpe, mas seu parceiro não é perfeito, e nem você. Haverão sempre algumas coisas pequenas (e lidáveis) que teremos que aprender a ignorar.

Não reclame do que você não gosta no começo do relacionamento:
O começo do relacionamento vai moldando como vai ser a dinâmica do casal. Vamos dizer que você não gosta que seu parceiro apareça no seu trabalho sem te avisar antes. Se você não reclamar nas primeiras vezes, ele vai achar que esse comportamento é aceitável e irá continuar fazendo, gerando mais frustração para você. Fale o que não gosta, de um jeito educado. É crítica construtiva.

Casais que são para dar certo simplesmente irão dar certo. Bons relacionamentos não dão trabalho.
Qualquer relacionamento requer pelo menos um pouco de esforço de ambos os lados. Deixar que ‘o destino’ cuide é uma furada. Entrar em um relacionamento é combinar todos os desejos e sonhos de ambas as partes, e obviamente, isso é bem complicado. Nada é perfeito, e nada vem sem esforço. Mas, claro, se o relacionamento estiver dando mais trabalho do que alegria, é necessário ver se o relacionamento vale a pena.

Casais felizes fazem muito sexo ou fazem pelo menos (insira número aqui) vezes
A frequência que um casal faz sexo depende da libido do casal, das circunstâncias e da oportunidade. Comparar a sua vida sexual com seus amigos não é uma boa forma de medir a sua satisfação sexual ou do seu parceiro. Caso esteja incomodado, converse com seu parceiro, não com pessoas fora da relação. Além disso, obviamente, a quantidade de vezes tende a diminuir com o tempo, já que o fator da novidade já desapareceu. No entanto, o que importa aqui não é a quantidade, e sim a QUALIDADE.

Um bebê vai solucionar todas as brigas do casal
Só se for porque eles estão cansados demais para brigar. Um bebê é uma grande responsabilidade, toma muito tempo (e dinheiro do casal). Satisfação dentro de um relacionamento quase sempre cai depois do nascimento do primeiro filho. Claro, ter um filho é muito bom (para os casais que desejam), mas se o casal está com problemas sem filhos, melhor resolvê-los antes de abrir a fábrica.

Casais felizes fazem tudo juntos
Você não é uma extensão do seu parceiro. Vocês são duas pessoas distintas, e justamente por terem alguns interesses diferentes que podem trocar experiências e assim se tornam interessantes. Atividades tanto juntos quanto separados são importantíssimas.

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
psicologapaulamonteiro @ gmail.com
(21) 99742-7750

Detalhes fazem toda a diferença

Quando entramos em um relacionamento, tudo é lindo e encantador. Todos os detalhes positivos do parceiro são vistos com uma lente de aumento, e os defeitos são diminuídos ou até vistos como “charme”. Notamos todas as atitudes boas, como o café da manhã que ele faz e traz na cama aos domingos, como ele traz um doce toda semana para você depois do trabalho ou como ele conserta o seu computador sempre que você precisa. Ou como ela passou o seu terno que você precisava para a reunião, ou como faz um jantar especial todas às sextas-feiras, quando você volta exausto do trabalho. Você além de notar, menciona e agradece.

Após algum tempo, os detalhes negativos da pessoa começam a ter importância, e os positivos começam a perder o poder. Aquele esquecimento dele que antes era fofo começa a ser irritante, e o jeito que ela se atrasa sempre deixa de ser charme, e vira motivo de briga. Por que as coisas se invertem dessa maneira?

A verdade é que nos acostumamos facilmente com o que é bom (culpemos nosso cérebro!). Com o tempo, aquele café da manhã aos domingos vira tão normal quanto domingão do faustão, e deixamos de agradecer, até porque nós mesmos não vemos mais aquilo como tão especial. Em compensação, sabemos o quão difícil é se acostumar com algo ruim, e com a mágica de um relacionamento novo já meio que apagada, esses detalhes negativos começam a sobressair. Ambos os lados ficam irritados e começam a pensar que estão sendo desvalorizados.

Mas o que fazer para reverter esse problema? Tente adicionar um pouco de gratidão “não-automática” na relação: Pare e veja as qualidades de seu parceiro. Comente. Você verá que não somente seu parceiro se sentirá mais valorizado, feliz e irá retribuir o gesto, como você mesmo ficará mais satisfeito na relação.

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
psicologapaulamonteiro @ gmail.com
(21) 99742-7750

Traição: Quando perdoar?

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Não estou aqui para dizer o que é certo ou errado, e quais são seus limites. Se você não aceita nenhuma traição e quer sair do relacionamento, esse texto não é para você. Estou escrevendo para quem se pergunta se realmente vale a pena dar uma (ou mais uma) chance.

O mais grave da traição não é o ato sexual, mas sim a quebra de confiança que a traição causa. Muitas vezes essa quebra de confiança não consegue ser ultrapassada, e o término acontece. Só amor não é o suficiente para manter um relacionamento, precisa haver confiança. Confiança é a cola do relacionamento.

Relacionamentos envolvem promessas: promessa de que você está com uma pessoa e mais nenhuma outra (no caso dos relacionamentos fechados). Quando essa promessa é quebrada, a confiança se desintegra. Sem confiança, a intimidade e a comunicação acabam. O casal acaba se distanciando. Hostilidade toma o lugar do carinho, e o relacionamento aos poucos se torna tóxico, e pode vir a acabar. Porém, se ambas as partes quiserem, a reconstrução do relacionamento PODE ser atingida, especialmente com a ajuda de terapia, que, nesse caso, se vê muito necessária. A terapia ajuda trabalhando nos problemas de comunicação, na confiança quebrada, na mágoa e na raiva causadas pela traição.

Para a reconstrução de um relacionamento, todas as cartas devem ser postas na mesa. Traição é um problema do casal, não de somente uma das partes. A verdade deve ser dita, por ambas as partes. Quem traiu não deve esconder o que fez, o motivo que levou a fazer isso (isto é, o que lhe falta no relacionamento) e aceitar sua culpa, assim como quem foi traído deve dizer o que precisa para sua confiança no parceiro voltar. A confiança não irá voltar facilmente, nem deve. O parceiro traído foi manipulado e escutou mentiras. A confiança deixa de ser garantida e cega para ser ganha, aos poucos; é um processo lento, que requer trabalho e dedicação.

Mas, quando é que todo esse esforço é realmente necessário? As chances de um casal ficar bem após uma traição são razoáveis, com o esforço de ambos, caso estejam interessados. Mas o que falar de múltiplas traições? E de traições que foram descobertas pelo parceiro, e não admitidas pelo outro? O ponto que quero chegar aqui é que vejo muitas vezes no consultório situações em que a “vítima” se cega para a realidade. O amor realmente cega às vezes. Qual é a responsabilidade da vítima numa situação assim? Uma das coisas mais difíceis de se fazer é olhar para si mesmo e ver qual parcela de culpa temos por nos colocar nas situações que acontecem conosco. Será que o parceiro nunca mostrou nenhum sinal infidelidade antes ou nós é que tampamos nossos olhos até o último instante? O que essa situação toda diz sobre nós mesmos? O que faz nós irmos ao consultório para “nos consertar”, para aceitarmos uma relação de monogamia repetidamente desrespeitada? O que nos impede de olhar para fora da relação e ver uma nova vida? É o medo de ficar sozinha(o)? É por causa do “bem” da família? É a incerteza do futuro? Essas são perguntas importantes que devem ser respondidas antes de dar mais uma chance a parceiros que traem repetidamente. A habilidade de perdoar é algo louvável, mas nem sempre é a solução.

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
psicologapaulamonteiro @ gmail.com
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Você tem maturidade emocional para começar um relacionamento?

Geralmente artigos sobre amor e relacionamento focam no outro. Mas você já parou para pensar se você tem o que precisa para estar num relacionamento saudável? Vou colocar aqui três pontos necessários:

Paciência na espera da recompensa: impulsividade é um sinal de que você não está pronto. O desejo de sentir prazer imediato junto com a vontade de estar em um relacionamento pode fazer com que você ache que encontrou a pessoa certa muitas e muitas vezes, causando envolvimentos em relacionamentos de curta duração, com grandes decepções. Impulsividade também aumenta a possibilidade de traição (tanto física quanto emocional).

Independência pessoal : Se você não acredita que pode viver sozinho, são altas as chances de você tomar decisões que você não deseja ou que não são saudáveis apenas para manter o seu parceiro. Quanto mais dependente de outra pessoa você for, maiores são as chances de você achar que todo parceiro com quem você envolve é a sua “alma gêmea”, adicionando uma falsa segurança para você dentro da relação.

Saber lidar e se recuperar de perdas: Se você não consegue terminar porque dói demais, você pode acabar por forçar a continuação de relacionamentos que não são saudáveis. Aprenda a lidar com as perdas e que nem todos os relacionamentos são para dar certo. Tente tirar o máximo de proveito dessa situação como uma lição para não repetir o mesmo erro no próximo relacionamento que tiver.

E você? Tem essas importantíssimas habilidades?

Paula Monteiro
Psicóloga clínica
psicólogapaulamonteiro @ gmail.com
(21) 99742-7750

Ciúmes na relação

imagem:FreeDigitalPhotos.net
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Ciúme é um sentimento complexo, que é multi-dimensional, envolvendo raiva, ansiedade e medo. O ciúme tem suas raízes em você mesmo (variando de acordo com a sua história de vida), na cultura que você vive (o que se é esperado em uma cultura muitas vezes não é esperado na outra)  e na relação entre duas ou mais pessoas. Além disso, quando falamos de ciúmes, geralmente pensamos em algo negativo, trazendo a idéia de possessividade, controle e egoísmo.

Quando pensamos em ciúmes em um relacionamento, podemos adicionar a todos os adjetivos citados acima, conflitos e problemas no relacionamento. Muitas vezes esses problemas, levados ao nível máximo, podem causar crimes passionais, sendo a maioria causados por homens.

No entanto, a idéia de que ciúmes são sempre ruins é um pensamento equivocado. Na verdade, ciúme, na dose certa, é um indicativo de que a pessoa gosta do parceiro, e ajuda na manutenção dos laços amorosos. Ciúme é uma reação biológica, isto é, natural, que é observada em animais e em bebês. O ciúme varia em grau e em tipo. Podemos dizer que o ciúme em um relacionamento pode ser categorizado, no mínimo, em ciúme reativo e ciúme desconfiado.

O que quero dizer com isso? Pois bem, como eu disse antes, ciúme é uma reação natural, e que depende de uma série de fatores. O ciúme que chamo aqui de reativo acontece quando há uma real ameaça ao relacionamento. O ciúme então acontece por causa de “um estranho no ninho”. Isso não significa que a reação seja necessariamente adequada ou aceitável socialmente só porque há uma ameaça real. Há níveis e níveis de ciúme. Esse ciúme, portanto, é causado, pelo menos por parte, por um fator externo. Já o ciúme desconfiado é causado por fatores internos. Baixa auto-estima, entre outros fatores causados por eventos causados no passado (até possivelmente uma traição anterior), podem gerar insegurança.

Os dois ciúmes podem se entrelaçar ou um virar o outro. Por exemplo, uma pessoa com ciúme reativo que é traída pode começar a ter ciúme do tipo desconfiado depois da traição, e uma pessoa que tem ciúme desconfiado do parceiro, gerando comportamentos altamente neuróticos, pode destruir o relacionamento e fazer com que o parceiro perca o interesse no relacionamento, e consequentemente termine ou traia.
No final, o que importa é que sentimentos de ciúme e insegurança sempre são ruins, então devemos consertá-los. A forma de conserto é que difere nessa hora. Se você tem ciúme do tipo desconfiado, trabalhar em si mesmo, fazer terapia e aumentar sua auto-estima são pontos cruciais. Já no caso do ciúme reativo, comunicação entre os parceiros é a chave: Apesar de conversas sobre o tópico serem complicadas e muitas vezes evitadas, insegurança, segredos e omitir sentimentos não é uma base sólida para a um casal se manter. Comunicação é essencial para um relacionamento saudável.

Como você escolhe seu parceiro amoroso?

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Muitos de nós acreditamos em almas gêmeas; de que existe uma pessoa em especial que é perfeita para nós, em todos os sentidos. Mas a verdade é que a crença da alma gêmea pode estar te impedindo de ser feliz.

Primeiramente, sejamos realistas: se existe uma pessoa na Terra perfeita para você e a Terra tem aproximadamente 7 bilhões de pessoas, é bem provável que você não ache essa pessoa. Consegue imaginar passar por todas essas pessoas antes de achar o seu par ideal? Mesmo que você tenha uma preferência sexual por um gênero só, 3,5 bilhões ainda é coisa demais.

Shwartz e colaboradores (2012) notaram que há dois modos prevalentes de escolha de parceiro: satisfação e maximização.

A pessoa que procura pelo método de maximização procura encontrar a MELHOR pessoa possível e troca quando encontra alguém melhor que o parceiro atual. O tipo de pessoa que diz que só vai se casar com o melhor homem (ou mulher) da Terra. Essas pessoas procuram bastante e por um longo tempo, ganham bastante experiência, e não aceitam nada aquém do melhor.

Já a pessoa que procura pelo método de satisfação pensa nos pontos que ela julga necessário para um parceiro antes de começar a sua procura, e selecionam a primeira pessoa que se encaixa nesses critérios, ao invés de estar sempre procurando pelo melhor de todos, a busca inalcançável.

Apesar de nossa sociedade ser de fato maximizadora, afinal, queremos sempre o melhor em tudo, os estudos comparando os dois tipos de escolha mostra que pessoas que vão pelo método de maximização se encontram mais deprimidas, perfeccionistas e se arrependiam mais que as pessoas que procuravam pelo método de satisfação, que se encontravam bem mais otimistas, felizes com a vida e com boa auto-estima. Essas pessoas encontram o que querem e o que precisam, e estão satisfeitas com o que têm.

As pessoas que procuram pelo método de maximização acabam pulando de relacionamento em relacionamento, sempre procurando por algo melhor (ou simplesmente esperando por todo o sempre), e depois sofrendo as consequências por estar sempre correndo atrás da inatingível perfeição.

Portanto, o ideal é parar e pensar o que você precisa num parceiro para te deixar feliz e satisfeito e também o que é absolutamente inadmissível um parceiro ter como defeito e seguir com essa lista, e esqueça as opiniões alheias ou o que a mídia manda. Assim, você conseguirá achar um parceiro bom e parará de procurar a perfeição, que não existe.

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