Dica de filme: Gaslight (1944)

gaslight1944

Gaslight conta a história de Paula Alquist, que se casa com Gregory Anton. Os dois se mudam para a casa de sua tia (que era praticamente uma mãe para Paula), que foi assassinada tempos atrás. Sendo assim, Paula volta para o lar onde passou sua infância, em Londres.

Aos poucos, Paula começa a esquecer algumas coisas, perder outras… Além disso, ela começa a ouvir sons durante a noite, e as luzes de casa diminuem quando ela está sozinha (as luzes naquele tempo eram à gás, então quando alguém acendia uma luz a mais, consequentemente, as chamas já existentes diminuíam um pouco). Paula comenta tudo isso que está acontecendo para o seu marido, que diz que ela “não está bem”. Logo, ela começa a questionar a própria sanidade.

A origem do termo “gaslighting” que usamos hoje em dia vem desse filme (existe também uma peça de 1938 e um filme de 1940 com o mesmo nome e tema, porém o filme de 1944 é o mais conhecido de todos). Assim como Paula, vítimas de gaslighting são manipuladas, forçadas a se questionarem sobre suas memórias, sentimentos e ações. No filme, Gregory cria diversas “cenas” para Paula acreditar que ela está ficando doente: desde pegar objetos sem a esposa perceber, sumir com eles, e depois jogar a culpa em Paula, até mexer nas luzes e fazer barulhos no teto, dizendo que nada aconteceu e que ele estava na rua no momento. Podemos também ver uma manipulação verbal desde o começo, quando Gregory fala que ela é esquecida, ou que ela está agindo de forma irracional.

Além das manipulações mais específicas que podemos chamar nos dias atuais de “gaslighting”, Gregory também faz uso das seguintes táticas no filme:

Isolamento social: Paula nunca estava se sentindo bem para receber visitas ou ir a eventos. Isolamento é fundamental para esse tipo de abuso acontecer – afinal, quanto mais pessoas perto de você, mais difícil será de abalar o seu senso de realidade.

Transformar conhecidos em inimigos (criar rivalidade): As únicas pessoas constantemente presentes na vida de Paula eram suas empregadas (além do marido, claro). Gregory distorcia situações para as duas mulheres verem Paula de uma forma negativa. Um exemplo: Gregory falou para Paula chamar uma das ajudantes para colocar mais carvão no fogo, pois era tarefa delas. Paula diz que não queria dar trabalho desnecessário às moças, e que ela mesma poderia fazer isso. Gregory insiste, e então Paula toca o sino da casa. Quando uma das empregadas chega ao cômodo, Gregory prontamente fala que foi Paula que pediu para ser atendida.

Enfim, o filme é bom, e mostra como pequenas manipulações diárias podem fazer um estrago em nossa vida, ao ponto de questionarmos nossa sanidade.

Para marcação de consultas:
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750

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