3 maneiras de se auto-sabotar

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1. Ficar pensando no “se eu tivesse…”
Todos temos arrependimento em relação a algo que aconteceu no nosso passado, seja algo que então tínhamos controle (“se eu tivesse estudado mais…”) ou não tínhamos controle algum (“se eu tivesse nascido em outro país/família…”). O grande problema é que esses arrependimentos podem se arrastar por anos (até mesmo décadas!) e eles não nos levam a nenhuma atitude (a menos que você possua uma máquina do tempo) e só nos trazem frustração – e o pior: Ruminar esses pensamentos faz com que você acabe seguindo os mesmos padrões de antes.

Transforme o “se eu tivesse…” em aprendizado, trocando sua forma de pensar:
-“Aquilo aconteceu sim, mas agora aprendi e posso fazer diferente”.
-“Não posso mudar meu passado, mas posso mudar meu futuro”.

Esses pensamentos são mais saudáveis e vão ajudar a você parar de lamentar e se auto-sabotar.

2. Enterrar seus sentimentos
Muitos acham que reconhecer os sentimentos significa fazer um drama público ou gritar com alguém, mas a verdade é que, se você reconhecer seus sentimentos, a chance de acontecer as coisas que acabei de mencionar são menores do que quando tentamos enterrar nossos sentimentos, seja por medo de ser julgado, ou até mesmo por sentimentos de culpa.

A verdade é que sentimentos enterrados crescem, ao invés de desaparecerem. É como ter uma panela de água fervente: Se você tampá-la, não somente vai continuar fervendo, como fará uma bagunça. No entanto, se você tirar a tampa e deixar o ar entrar, terá uma situação bem mais estável. Ter ciência dos seus sentimentos não faz uma bagunça; cobri-los, no entanto, faz.

3. Começar amanhã
Isso é muito comum em pessoas que querem fazer dieta: Comem, e a dieta sempre começa amanhã. E o amanhã nunca chega. Com produtividade também:
“Hoje foi um dia ruim, começarei amanhã o meu projeto”.
Por que você não transforma essa pausa de um dia em quinze minutos? Por que, ao invés de começar ‘amanhã’, você não começa na próxima hora? Reduzir essa pausa ajuda em diminuir o pensamento do tipo “tudo ou nada”. Tire uma pausa, porém curta: dê uma volta, respire, medite, converse com um amigo – qualquer coisa que lhe ajude a se concentrar ou a dar um “boot” no seu sistema. Não esqueça que o amanhã nunca é hoje. Foque nos seus planos.

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Devo mencionar divórcio?

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Infelizmente, divórcios acontecem. Casais que construíram um lar, possivelmente criaram filhos, negócios e bens, que nunca pensaram que iriam romper, muitas vezes rompem. É triste, e o mais triste de tudo é que muitas vezes esse divórcio poderia ser evitado.

Não estou querendo fazer com que ninguém anuncie a possibilidade de um divórcio no primeiro momento que isso passar pela mente, numa briga, como muitos fazem – até porque isso não é assunto para ser trazido à tona de cabeça quente. É um assunto que deve ser discutido com calma. Muitas pessoas mencionam divórcio em todas as brigas que têm com o parceiro, e, claro, como aquela história do ‘garoto que gritava lobo’, o assunto perde a seriedade, e a ‘ameaça’ de um divórcio vira uma fala ensaiada sem valor algum.

No entanto, no consultório, vejo muitos pacientes que vêm para a terapia quando o dano já está feito, quando já é tarde demais para qualquer tentativa de conserto. A falta de comunicação apropriada é um problema grave em uma grande parcela dos relacionamentos. Comunicar que está considerando o divórcio antes de dar o “ponto final” é essencial. Aqui estão alguns motivos:

-É importante comunicar ao marido/esposa fatos importantes sobre a relação. O parceiro tem direito de saber do desejo, para pensar na situação. A decisão final de divórcio não aparece do nada, e até o momento em que se anuncia o tal, a idéia já se passou mil vezes na cabeça de um dos parceiros, enquanto muitas vezes o outro não sabe de nada. É injusto atacá-lo com um golpe final sem ele ter a mínima idéia do que está acontecendo.

-Quando o parceiro é comunicado sobre a gravidade da situação, ele tem maiores chances e motivação para mudar, e demonstrar o quão disposto (ou não) está para fazer algo para salvar o relacionamento.

-Falar sobre o divórcio, conversar com o seu parceiro, não somente irá fazê-lo pensar sobre isso, mas também fará você pensar mais claramente sobre o assunto.

Caso não consiga se expressar com facilidade em relação ao assunto, a terapia de casal é um bom lugar para a conversa fluir, com a ajuda do terapeuta. Não deixe a terapia para o último momento, quando o divórcio já for final.

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Mídias sociais e o mundo real

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(imagem: pixabay.com)

As mídias sociais se tornaram importantíssimas nos últimos anos. Elas trazem facilidade para se conectar à familia e amigos, trazem notícias e entretenimento. As ligações para primos e amigos agora viraram comentários e chats, e até mesmo convites para eventos reais são feitos pelo Facebook. Não posso comentar muito sobre o Instagram ou algum outro site da moda, mas, particularmente, o Facebook é uma mão na roda.

Mas, como quase tudo na vida, o Facebook tem um lado negativo. Muitos vêem a quatidade de amigos, de likes ou de compartilhamentos como um símbolo de popularidade e de status. Fotos de amigos ou celebridades da internet também podem ser motivo de comparação – “Por que a minha vida não é assim“? Isso afeta principalmente quem já possui uma auto-estima frágil, gerando ansiedade e depressão.

Se você se vê afetado pelas mídias sociais, leia as dicas seguintes:

Visite menos as páginas: Mídias sociais são, de fato, viciantes. Controle o uso. O que for importante, como convites, estarão esperando por você lá, quando você entrar. Lembre-se que o Facebook (ou qualquer outra mídia social que você use) é apenas uma pequena parte da sua vida.

Pare com as comparações: Se comparar aos outros na vida real já e ruim, se comparar aos outros em mídias sociais é completamente inútil. Pode até parecer que apenas a sua vida é ruim, mas a verdade é que a grande maioria das pessoas apenas postam o lado bom de suas vidas – são poucas as que contam suas lutas diárias e suas tristezas. Você basicamente está vendo fotos sem um contexto. Você não deve se comparar à fotos que são selecionadas justamente para mostrar uma vida perfeita.

Você é mais importante: Likes no Facebook não vão lhe trazer felicidade. A felicidade vêm de dentro, e a sua qualidade de vida depende do que você pensa de si, e não o que os outros pensam de você. Invista seu tempo em fazer coisas que lhe façam bem, e não deixe um site controlar a sua vida e seu humor. Você é muito mais do que o seu perfil na internet.

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Gaslighting

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(pixabay.com)

Gaslighting é uma técnica de manipulação emocional que, feita repetidas vezes, faz com que a pessoa duvide de si mesma. É muito comum em relacionamentos abusivos – aliás, abuso emocional é muito mais comum do que imaginamos.

Por que esse nome?

Gaslight é o nome da obra de Patrick Hamilton, que conta a história de um casal, onde o marido tenta fazer com que a esposa pense que ela está ficando maluca. Ele faz isso com táticas sutis, e uma delas é diminuir as luzes de gás (por isso o nome da obra). A esposa fala para o marido que as luzes estão mais fracas e ele nega, começando assim a questionar a sua sanidade.

Frases como:
“Você está maluca”
“Eu nunca disse isso”
“Você é sensível demais”
“Está de TPM?”
Desmerecem os sentimentos e/ou a memória da pessoa. Claro, ninguém se lembra de absolutamente tudo o que disse, mas há uma grande diferença entre não se lembrar e acusar o outro de estar com problemas de memória/emocionais e tentar reescrever a memória deste. Gaslighting é uma técnica de desorientação.

Essas mesmas frases, entre outras semelhantes, lentamente quebram a auto-confiança de quem está sofrendo gaslighting. Alguns sintomas são:

-Auto-questionamento da própria memória ou de emoções.
-Confusão mental, incluindo “estar se sentindo maluco”
-Você se vê sempre cometendo erros, e está sempre pedindo desculpas para uma pessoa, mas não consegue entender como reagiu de tal forma.
-Você não consegue entender como que, com tantas coisas boas acontecendo na sua vida, você está infeliz
-Você frequentemente cria desculpas para defender seu parceiro/parente/amigo
-Incapacidade de fazer decisões simples
-Você sente que não consegue fazer nada direito
-Você se pergunta se é uma pessoa boa o suficiente

Lembre-se que gaslighting pode ser feito por qualquer pessoa, incluindo chefes, colegas de trabalho, familiares e parceiros. Se você está sentindo que precisa defender sua sanidade ou o seu valor como pessoa, é bom se perguntar se você está sendo manipulado por alguém.

A terapia pode ajudar a perceber a manipulação e a lidar com ela, seja mudando a dinâmica da relação tóxica ou cortando-a completamente.

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Você está em um relacionamento com um narcisista?

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(pixabay.com)

No ‘mundo leigo’, quando alguém fala de narcisismo, as pessoas ao redor pensam em uma pessoa vaidosa, que fica se olhando no espelho mais do que a maioria. Porém, narcisismo é algo muito mais sério do que uma vaidade exacerbada. As pessoas que possuem esse transtorno de personalidade podem afetar profundamente a vida das pessoas ao seu redor, principalmente parceiros, que normalmente são as principais ‘fontes de energia narcísica’ para estes. Na minha experiência clínica, posso dizer que não é incomum tratar de parceiros de pessoas com este tipo de problema.

Então, decidi listar aqui alguns sinais de Transtorno de Personalidade Narcisista

1- Carismático e sedutor
Claro, esses aspectos são positivos caso sejam reais. O que eu quero dizer aqui é que é muito fácil ser enganada por um narcisista, pois os primeiros dias de interação com essa pessoa serão perfeitos. Os narcisistas criam uma máscara perfeita para conquistar seus alvos. Assim que a fase da conquista acaba, a máscara cai (às vezes voltando caso ele(a) precise de volta). Somente depois disso que vemos os outros sinais.

2- Insensível às necessidades dos outros
O parceiro não é escutado, e o relacionamento gira em torno do narcisista.

3- Não assume seus erros.
A culpa é sempre do outro ou de algum evento. Nunca assumir responsabilidade pelos atos é um grande sinal de narcisismo.

4-Hipersensibilidade à críticas
Narcisistas não levam a “crítica construtiva” muito bem. Não somente isso, um comentário completamente inocente pode se tornar o começo de uma briga. O narcisista, apesar de mostrar ao mundo a sua idéia de perfeição e grandiosidade, na verdade possui um ego extremamente frágil.

5- Manipulação
Especialmente quando há briga, espere que o narcisista fique mudo e não queira cooperar. Ficar mudo, ignorar ligações e mensagens são comuns. Narcisistas são experts em truques para obterem o que querem, seja ganhar em uma discussão, obter um objeto ou conseguir um favor.

6- Desvalorização dos outros
Narcisistas geralmente põem os outros como inferiores, apontando seus erros, para se sentirem melhores.

7- Triangulação
Envolvem uma terceira pessoa no relacionamento (muitas vezes uma pessoa que poderia ‘roubá-lo’ de você) para deixar você frágil, portanto mais fácil à manipulação. Isso também é usado para aumentar o ego do narcisista.

8- Sem regras
Narcisistas se sentem acima de qualquer qualquer um, incluindo a lei. Atitudes como obter prazer roubando pequenas coisas ou ultrapassar sinal sem necessidade pode ser um grande alerta de narcisismo.

E claro: fantasias de grandiosidade, monólogo sobre si mesmo e falta de interesse honesto e real em outras pessoas.

E, o que fazer? Devo largar meu narcisista?
Isso quem deve descobrir é você. Porém, lembre-se que pessoas que sofrem de Transtorno da Personalidade Narcisistas têm a incapacidade de ver seus erros e seu impacto nos outros. Nós não podemos mudar nossos parceiros à força, e as pessoas só fazem mudanças quando vêem que há necessidade. O importante é você achar a sua felicidade, seja com esse parceiro, sozinha(o) ou com outro.

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Mais do que apenas aturar

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Meninas são ensinadas desde cedo a serem agradáveis e “boazinhas”.  Ser amiga de todos e não criar conflitos é mais importante para as mulheres do que para os homens. Aprendemos desde cedo a sermos comportadas e a fazermos de tudo o possível para sermos bem-vistas. Isso pode ser uma tática de socialização, mas pode vir com um preço bem caro quando nos envolvemos em relacionamentos tóxicos.

Essas mesmas mulheres que, quando meninas, queriam agradar a todos, podem crescer sem voz em um relacionamento – mulheres que fazem tudo para agradar o parceiro, dando o máximo de si, para pessoas que não lhe dão o retorno desejado.

Muitas vão para a clínica e reclamam da situação. Quando questionadas sobre o que estão fazendo a respeito, se calam – afinal, mulheres que reclamam “chateiam” – ou é assim que muitas pessoas pensam. Arranjam desculpas como “um dia ele verá meu valor” ou “ele não mostra, mas sei que gosta de mim” para não terem que tomar uma atitude.  Essas acabam sofrendo caladas, para não perderem o relacionamento que têm com seu namorado/marido/companheiro. Mantêm uma relação… Mas a que custo? O preço é alto. Alto demais. Não deveria ser pago.

A verdade é que comunicação é essencial em um relacionamento, e ambas as partes devem ter seus desejos emocionais e físicos realizados. As necessidades devem ser conversadas, e, um parceiro que é incapaz de ouvir não é um parceiro bom o suficiente. Homens maduros emocionalmente preferem ouvir o que suas mulheres querem. E se suas necessidades também não puderem ser atendidas pelo mesmo, considere isso um sinal de incompatibilidade. Pare de criar desculpas para sustentar um relacionamento desequilibrado.

Pense em você, nas suas necessidades e no porquê de você estar aceitando relacionamentos com parceiros que não são bons para você. Você merece e pode ser feliz.Você merece mais do que apenas aturar.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica

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Está no momento de terminar o relacionamento com o seu parceiro?

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(fonte: pixabay.com)

Relacionamentos nunca são perfeitos – aliás, muitas vezes, eles não chegam nem perto disso, sendo verdadeiras tempestades (ou “montanhas-russas”), onde em um momento está tudo ótimo, e em outro você pensa que tudo deve terminar naquele momento.

Calma.

A primeira coisa que você tem que ter em mente é que decisões feitas com a cabeça quente geralmente não são as melhores. Se dê um tempo para refletir sobre tudo, e deixo para você as seguintes perguntas:

O que VOCÊ pode fazer para melhorar o relacionamento? Você já está fazendo tudo o que pode? Você quer, de fato, fazer tudo o que pode?

Você está feliz consigo mesma(o)? O problema é você ou é o seu parceiro? Você está esperando que o seu parceiro preencha um vazio que ninguém, apenas você, pode preencher? Às vezes culpamos nossos parceiros pela nossa infelicidade, quando o problema está em nossa autoestima, por exemplo. Pare para examinar de onde vem a causa do problema, e se você está tentando usar seu parceiro como “remédio para tudo”. Colocar uma responsabilidade tão grande nos ombros de uma pessoa é, além de injusto, impossível de dar certo.

O seu parceiro adiciona coisas (boas, claro) na sua vida, ou subtrai? Claro, algumas (muitas) vezes pode haver uma subtração – mas essa subtração é pequena, comparada às coisas boas que seu parceiro te traz? Faça uma lista. Ponha todos os pontos positivos e os negativos e veja se o relacionamento está valendo a pena.

Imagine a seguinte situação: Imagine um filho seu, ou talvez uma melhor amiga, com um parceiro como o seu. Você gostaria que eles estivessem nessa situação? Se não, por que você deveria estar em uma relação como a sua?

Você ficaria mais feliz sozinha(o)? Pare e reflita como seria sua vida caso não estivesse com o seu parceiro. Sua vida seria melhor? Do quê você sentiria falta? Se você já está se imaginando por aí solteira(o), talvez seja o momento de terminar a relação.

Novamente, tome todo o tempo necessário para refletir. Antes demorar para chegar à uma conclusão do que ir na pressa e se arrepender. O importante é estar pronto, seja para qual caminho for.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica

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