Insônia? Ponha seus pensamentos no papel

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Já recomendei a muitos dos meus pacientes a prática de escrever um diário para acessar situações e pensamentos que em pouco tempo desaparecem da nossa memória (consciente) mas que podem nos afetar a longo termo. Também falei sobre a importância de escrever para aliviar o estresse, seja o que está em sua mente no momento ou relembrando e anotando bons momentos do dia. No entanto, não falei sobre a relação entre a escrita e o sono, e é sobre isso que iremos falar hoje.

Em um estudo feito pela Baylor University e pela Emory University descobriu-se que escrever logo antes de ir para a cama pode fazer o sono bater significantemente mais rápido. No entanto, dessa vez não estamos falando sobre escrever em um diário, e sim em uma agenda.

Na verdade, faz muito sentido, não? Geralmente os pensamentos que nos deixam em alerta na hora de ir para a cama não são sobre o que fizemos no dia, e sim sobre o que deixamos de fazer ou sobre o que temos que fazer no dia seguinte. Escrever uma lista do que você precisa fazer no futuro diminui a agitação cognitiva, acalmando aquela voz interna que fica dizendo “preciso fazer isso” e “preciso fazer aquilo”. Parte do motivo desses pensamentos nos perturbarem à noite é que podemos esquecê-los a qualquer momento. Se colocarmos a nossa lista mental no papel as chances de esquecermos o que temos que fazer diminuem, dando um descanso para a sua cabeça e deixando assim o sono chegar.

Obviamente isso também funciona durante o dia, seja com pessoas que possuem muitas tarefas, pessoas ansiosas ou com pessoas que possuem déficit de atenção. A agitação diminui, a cabeça esfria e podemos nos concentrar melhor nas tarefas que estamos fazendo no momento.

Resumindo, seja de dia ou de noite, escrever as tarefas que precisamos fazer no futuro é sempre uma boa ideia. Muita gente compra agenda mas não usa, deixando de decoração no escritório. Que tal começar a fazer bom uso do caderninho?

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Dê um descanso para o seu cérebro

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Uma reclamação constante na clínica (e na vida) é que as pessoas estão com as vidas muito atrapalhadas, que estão ocupadas demais; mas é curioso como “estar ocupado” traz um status na sociedade. Você se torna importante. É como reclamar porque você é milionário… Você sabe, aquela reclamação meia-reclamação-meio-orgulho. Até quando não estamos trabalhando, estamos muito ocupados mandando mensagens, vendo o facebook, indo na academia, no curso, entre outras dez mil coisas que temos que fazer todos os dias. Nossos smartphones trazem sempre alguma coisa para lermos, respondermos ou assistirmos. Com tantas coisas para fazer, momentos de introspecção e reflexão se tornaram raros. Estamos mais conectados ao trabalho e aos outros, mas estamos nos desconectando de nós mesmos.

Por falar em trabalho, a maioria das empresas espera que seu trabalhador seja workaholic. Pessoas que se dedicam além do saudável são recompensadas. Se você quer subir na maioria das empresas, é bom estar preparado para investir sua saúde (mental e física) e sono. Podemos ver muitas pessoas respondendo e-mails de trabalho muito após o expediente: o trabalho só acaba no escritório, continuando em casa, até altas horas da noite.

O problema é que trabalhar demais não significa fazer um trabalho de qualidade – muito pelo contrário: nosso cérebro, assim como o nosso corpo, não foi feito para trabalhar constantemente, mas sim em intervalos. Não fazer nada não é exatamente não fazer nada – enquanto nosso cérebro está “descansando”, ele processa nossas experiências, reforça o aprendizado, consolida memórias e regula nossa atenção e nossas emoções – isto é, essa pausa é necessária para continuarmos eficientes. O descanso também é importantíssimo para a criatividade – precisamos de um tempo de incubação para os nossos pensamentos. Descansar a cabeça é a melhor forma de lidar com um problema complexo; e provavelmente você mesmo já passou por isso: você está pensando sem parar em um problema, e finalmente, quando resolve descansar, que a ideia vem. Mentes descansadas são mentes com idéias. Para se ter uma noção: Em um estudo feito em Berlin pelo K. Anders Ericson (professor de psicologia da Florida State University) foi descoberto que os melhores músicos praticavam muito menos do que o esperado: apenas 90 minutos por dia – e também tiravam mais cochilos durante o dia e davam mais pausas quando cansados ou estressados.

Portanto, lembre-se de dar tempo ao seu cérebro. Ele precisa de descanso para trabalhar bem e alavancar seus projetos. Trabalhar demais não significa trabalhar de uma forma inteligente.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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