Compulsão à Repetição

Por que algumas pessoas escolhem parceiros iguais aos parceiros que tiveram no passado, se estes eram abusivos, alcoólatras, narcisistas, etc? Não faria mais sentido procurar um relacionamento mais saudável, procurando parceiros talvez até com traços extremamente opostos?

Esse fenômeno psicológico de repetição tem o nome de “compulsão à repetição”. A pessoa repete o evento traumático ou suas circunstâncias, onde o evento poderia ocorrer novamente.

A origem do trauma não necessariamente é um relacionamento amoroso; pode vir de outras fontes, como, por exemplo, pais abusivos. A questão é: Independente da fonte, por que repetir uma situação ruim?

Primeiramente, a maioria das pessoas que comete essa repetição não percebe que há uma repetição, e se percebem, na maioria das vezes não identificam a origem. Inconscientemente, a pessoa repete a situação original tentando mudar o resultado. Vou dar um exemplo: Uma moça que o pai era sempre ausente na infância entra repetidamente em relacionamentos com homens ausentes, tentando agradá-los cada vez mais para obter a atenção que tanto deseja.

Além disso, nós humanos somo seres de hábitos; isto é, procuramos o que conhecemos. Logo, uma pessoa pode estar tão acostumada a um certo tipo de situação ruim, que tudo naquele ambiente é previsível, enquanto um relacionamento diferente, completamente novo, pode parecer assustador (por mais que seja mais saudável), porque essa pessoa não viveu nada parecido com aquilo. Todos sabemos o quão assustador o desconhecido pode ser.

A relação terapêutica explora as raízes dos traumas e as consequências na vida atual do paciente, tentando eliminar esse padrão repetitivo.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica
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