Ratinhos, jogos de azar e relacionamentos abusivos

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Se você já ouviu falar de Skinner e seus trabalhos em condicionamento, você deve ter ideia do conceito de reforço. Reforço é algo dado (ou retirado, nos casos de reforço negativo, mas não vamos falar sobre isso aqui) que “alimenta” um comportamento, deixando-o com mais chances de ocorrer. Vamos pensar em um ratinho: o ratinho descobre que, quando pressiona um botão/alavanca/etc, ele recebe comida. Sendo assim, ele vai associar aquele botão com comida, e toda vez que estiver com fome, o pressionará. Se a comida cair toda vez que o ratinho pressiona o botão, isso é chamado de reforço contínuo.

Mas o que acontece quando esse reforço só aparece de vez em quando? Ao invés do ratinho perder interesse no botão, ele ficará mais obcecado com ele. Acha parecido com o vício em jogos de azar? Pois você está correto. É justamente o fato de você não saber quando você vai ganhar que te prende ao jogo. Esse reforço sem previsão é chamado reforço intermitente, e é altamente viciante. Pense numa raspadinha: num dia você não ganha nada, nem no outro, nem no outro… e aí daqui a pouco você ganha R$5. Bom, já que você ganhou R$5 (deixando de lado que você já perdeu uns R$50), é bem possível ganhar aquele prêmio de R$100 mil, certo? E aí você continua, e continua… E todo pequeno prêmio parece uma vitória muito mais simbólica do que todo o dinheiro que você já perdeu. É uma cegueira em relação a todo o lado negativo por conta daquele curto período positivo.

E por que isso acontece? Porque nosso cérebro libera dopamina toda vez que recebemos um reforço. Não somente isso, mas o cérebro libera muito mais dopamina quando este reforço não é contínuo. Biologicamente falando, para a sobrevivência, dar mais valor para algo que não é contínuo faz muito sentido: não precisamos dar muita atenção ao que ganhamos sempre, pois está garantido. Precisamos focar no que não vem sempre, logo, isso se torna de maior valor. Só que não estamos mais “nas cavernas”, e esse tipo de modo de sobrevivência nos prende a coisas que nos dão mais dor de cabeça do que satisfação, como, por exemplo, relacionamentos abusivos.

Existem relacionamentos ruins. Existem relacionamentos com pessoas chatas e insuportáveis. Existem relacionamentos com pessoas ausentes, e com canalhas também. Mas se um relacionamento for consistentemente ruim, um término vai ocorrer (a menos que haja outros fatores envolvidos, mas a pessoa que decide ficar não está iludida). O problema de relacionamentos abusivos são justamente os seus altos e baixos e sua inconsistência, que vira uma prisão emocional. Você nunca sabe quando algo bom pode acontecer. Vocês brigam, e na semana seguinte vocês estão viajando. Você é chamado de inútil, mas dois dias depois recebe flores. Você apanha, mas na manhã seguinte recebe café da manhã na cama, carinho e um pedido de desculpas. As mesmas migalhas que o ratinho ansiosamente espera são as que você espera. É esperar o grande prêmio na raspadinha.

É importante entender que, se você está em um relacionamento assim, você está preso a uma ilusão. Ilusão de que as coisas vão melhorar, ilusão de que essa pessoa vai mudar. Se você sempre cede e as coisas acabam explodindo, se nunca existe uma negociação final para o caos e nada é estável, por que você acha que isso vai mudar um dia, depois da vigésima tentativa? Em relacionamentos abusivos existe uma normalização do ruim e uma supervalorização do normal e do bom.

Por último, quero deixar um aviso: provavelmente, ao tentar terminar um relacionamento abusivo, podem aparecer promessas de melhora, de procurar terapia, choro, e talvez até um pedido de casamento. Pense bem na possibilidade de todas essas promessas serem mais migalhas, quando você merece muito mais. Pense em todas as outras chances que você já deu. Imagine a sua vida como um grande jogo de raspadinhas, e seu afeto e sua dedicação como moeda de troca. Se você já gastou R$2 mil e obteve apenas R$100 de volta, quais são as chances de você ganhar o grande prêmio e tapar esse “buraco”? Outra coisa: pelo menos, dinheiro a gente ganha de volta – tempo, não. 

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Remorso ou Arrependimento? E por que isso importa? O pedido de desculpas em um relacionamento abusivo

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Você sabe a diferença entre remorso e arrependimento? Não se trata de palavras que são sinônimos, nem de diferença em finesse; isto é, não é o caso de uma palavra ser semelhante à outra, porém mais chique, mais refinada.

Remorso é um sentimento empático, uma tristeza por ter magoado o outro. É realmente entender o que você fez com a outra pessoa; é sofrer por ter machucado alguém. Já o arrependimento tem a ver com uma tristeza egoísta, uma tristeza relacionada à consequência que foi causada para si. Ambos os sentimentos podem gerar lágrimas, rosto vermelho e inchado, porém por motivos muito diferentes.

Vou dar um exemplo. Imagine essa cena num relacionamento:

Um rapaz deu uma cantada na amiga da namorada (vamos deixar de lado a sem-vergonhice e se você aceitaria isso ou não). A namorada ouviu, brigou e ameaçou terminar, e então ele, desesperado, pediu desculpas.

Num caso de remorso, essas desculpas têm a ver com o fato de que ele viu que o que fez foi extremamente errado, e entendeu a dor de sua namorada. Como o rapaz interiorizou a dor, ele provavelmente não cometerá o mesmo erro.

Já num caso de arrependimento, esse rapaz pede desculpas, mas foi por conta da consequência: sua namorada descobriu, e ele corre o risco de perdê-la. Sendo assim, ele pede desculpas para voltar ao status normal do relacionamento, e não porque magoou a sua parceira. Possivelmente, ele vai cantar alguém de novo (talvez com mais “cautela” numa próxima vez), porque o que o rapaz não gostou foi da consequência do ato, não do ato em si. Ele não interiorizou a dor da namorada.

Resumindo essa situação em particular: no remorso, os pensamentos são “não quero mais magoar a minha namorada” e “quero ser uma pessoa melhor para ela”, enquanto no arrependimento o pensamento é “não quero perder a minha namorada”. Nós podemos até entender que no primeiro caso, o rapaz trata a namorada como um ser com sentimentos, enquanto no segundo caso a parceira vira um “objeto”.

E aí a gente pode pensar em casos de traição em que a pessoa encontra provas ou até mesmo pega o outro no flagra: o parceiro está pedindo desculpas porque foi descoberto, ou porque realmente viu que o que fez foi errado? Se não tivesse sido descoberto, pediria desculpas? Repetiria o ato?

De qualquer forma, não estamos aqui para falar sobre traição em específico, e sim sobre relacionamentos abusivos e suas desculpas falhas e superficiais.

Pessoas abusivas têm uma dificuldade extrema para pedir desculpas. Geralmente, essas desculpas só aparecem quando a pessoa está em “risco”, quando ela não está mais no poder. Isto é, essa pessoa pode estar em risco de perder um relacionamento, um privilégio, um trabalho. O arrependimento é relacionado ao sentimento de medo, não de tristeza. Quando ela não vê risco de perda, as desculpas geralmente não aparecem, e podem até podem virar munição: “você me fez fazer isso”, “você também faz isso”, ou sua reclamação ou seu óbvio descontentamento são ignorados.

Agora, quando essa pessoa está em risco (de perder seja lá o que for), ela pede desculpas. Desculpas pelo quê? Pelo o que ela fez com você? Não. Pela consequência ou possível consequência do ato dela. Pelo medo. E aí o que acontece depois? Quando essa pessoa retoma o “poder” (isto é, quando o risco cessar), o abuso volta.

Sendo assim, vamos pensar em um relacionamento amoroso: o parceiro que é abusado chega no limite, e o abusador pede desculpas e começa a se comportar, pois o rompimento é um risco naquele momento. Alguns dias, semanas ou meses (dependendo da dinâmica do casal), o parceiro abusado se vê mais calmo, o risco de término some, e o abuso volta. Por quê? Porque eram desculpas por medo; era arrependimento. Não houve tristeza internalizada, não houve empatia com o parceiro abusado; não houve remorso.

Logo, o que temos que nos questionar é: a pessoa que está te pedindo desculpas está sentindo remorso ou arrependimento? Você consegue sentir uma tristeza genuína em relação aos seus sentimentos, ou seria uma tristeza voltada para as consequências causadas para ela mesma? Essa pessoa te pergunta como pode melhorar, ou inventa desculpas (incluindo histórias tristes) para o ato? Ela quer te ver feliz, ou quer ela mesma ficar feliz com a reparação? Ela vê o seu lado, de verdade? Se essa pessoa repete o mesmo erro várias vezes ciclicamente, o que você espera que aconteça na próxima vez que a poeira baixar? E na outra?

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Quando só você luta pelo relacionamento: o parceiro solitário

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Um relacionamento deveria, pelo menos em teoria, ser um envolvimento e um esforço mais ou menos igual de ambos os parceiros. No entanto, a gente sabe que o famoso “deveria” quase sempre não é a realidade.

É muito comum aparecerem no meu consultório pessoas que realmente querem salvar o relacionamento ou o casamento, que estão dispostas a negociar e resolver os problemas existentes naquele microcosmo. Só que, muitas vezes, depois de algumas tentativas de negociação frustradas e se vendo em risco de perderem o parceiro difícil, começam a simplesmente aceitar uma desigualdade na invisível (porém de extrema importância) balança do relacionamento. A velha frase “um peso, duas medidas” começa a ecoar todos os dias. E a balança fica mais e mais pesada para um dos lados. Um grande perigo mora na frase “decidi me calar e aceitar”.

A verdade é que essa aceitação de injustiça, por mais que seja feita com boas intenções, acaba destruindo ainda mais a possibilidade desse relacionamento sobreviver, pelo menos em um nível aceitável. Uma coisa muito comum é o nascimento de um ressentimento por parte do lado da pessoa que quer salvar o relacionamento a todo custo. Por mais que a pessoa diga a si mesma que aceita o que está acontecendo, sua mente aos poucos vai colocando tudo o que está fazendo em uma espécie de caderneta de dívidas. Conscientemente, podemos aceitar a situação e tentar racionalizá-la, que “é para o futuro do casal”. Mas algo lá atrás, lá no fundo da mente clama por justiça. E aos poucos começam a surgir pequenos atos passivo-agressivos, pequenas birras, até descontroles emocionais aqui e alí. Os sorrisos começam a azedar. Os olhares começam a tender para a indiferença. Na frente de um parceiro que já não quer negociar, geralmente isso é visto como mais munição para injustiça.

A verdade é que aceitar tudo para um bem temporário não adianta de nada. Você está alimentando o comportamento de um parceiro que não vê o seu lado, e também está destruindo lentamente ainda mais o relacionamento com a raiva (justificável) que lhe toma por dentro. O parceiro que não quer negociar se vê ainda mais confortável com a situação, pois você parou de lutar por um equilíbrio. Sendo assim, o se calar para o bem do relacionamento se torna um ciclo, que só aumenta na toxicidade. Você não está gostando da situação e aturando de “boca calada” para salvar um relacionamento que, sem conversa, não irá melhorar. Então, pense: se calar por quanto tempo? E por quê? O que você realmente ganha com isso?

Claro, nada impede de um parceiro finalmente ver o seu lado e consertar os erros. Às vezes isso toma tempo e milhões de pequenos passos, e muitas vezes até a terapia de casal se vê necessária. Mas o que podemos falar dos casos que não são os de sucesso? Quando tudo possível já foi tentado, e nada melhorou?

Talvez seja o momento de você se questionar:

Se houvesse um equilíbrio, que é exatamente o que você tanto procura, será mesmo que essa pessoa ainda estaria interessada em estar com você? Será que não é justamente por causa de ela ser a pessoa com todos os benefícios que ela ainda está nesse relacionamento? E se for esse o caso? Você não estaria num relacionamento com uma pessoa que não te respeita?

E, se você está em um relacionamento com alguém que não te respeita, por que fica? Por que fica, mesmo sabendo que nada vai melhorar, e que nada será de peso igual para as duas partes do relacionamento? Por que fica, sabendo que a frustração não é temporária, e que você está tentando aceitar injustiça como uma nova forma de vida? Será que não há um medo da solidão? De tentar mais uma vez, com uma pessoa nova? Ou será que é justamente o seu padrão de relacionamentos criado na sua infância que te faz ficar em um relacionamento infeliz, tentando mudá-lo? Claro, essas perguntas podem e devem ser trabalhadas na terapia.

Lembre-se que relacionamento saudável significa duas pessoas que se gostam e querem o bem uma da outra. Querem trazer felicidade para o outro. Quando o outro vê que você está infeliz e que o relacionamento está injusto, porém essa pessoa se vê muito confortável na situação dela, será que é esse o relacionamento que você merece? Uma relação de apenas uma via? Cadê o seu valor?

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Algo que me preocupa

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Tenho visto como as pessoas vêm parar nesse site, e não é raro encontrar no sistema que alguém procurou “como conquistar um narcisista”. Isto é extremamente preocupante, e, se você é uma delas, por favor, continue lendo este post:

Primeiramente, “narcisista” tem dois significados. O primeiro significado, o técnico, é um termo que se refere a alguém com um distúrbio de personalidade. O outro, o significado leigo, é aquele apelido que a gente dá para alguém que é egoísta e vaidoso e que, talvez, possamos até chamar de “babaca” (desculpe o termo, mas se resume a isso, não é mesmo?).

Independente do narcisista que você quer conquistar, seja a pessoa com distúrbio de personalidade ou o “babaca”, ambos vão lhe causar dor de cabeça. Claro, pessoas com esses problemas podem ser tratadas, mas são elas que têm que dar o primeiro passo. Elas que têm que reconhecer que possuem um problema que precisa ser tratado. Isso não tem nada a ver com você, e você não deve tentar salvar ninguém que não queira ser salvo. Especialmente quando essa pessoa sequer percebe que possui um problema. É o bom e velho “você está procurando sarna pra se coçar”.

Se você quer conquistar um “narcisista”, pare e pense: por que você quer ficar com alguém que muito provavelmente não irá te tratar bem? Por que você está correndo atrás de problemas? Por que está à procura de relacionamentos disfuncionais?

Deixo estas perguntas como reflexão.

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Mais uma dica de relacionamento: Problemas? Veja seu relacionamento de todos os ângulos

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Todos sabemos que um relacionamento saudável consiste de duas pessoas que se sentem “recompensadas” pelo que fazem um pelo outro. O que eu quero dizer com isso é que, se colocarmos em termos monetários, um bom relacionamento seria um em que você sente que está dando tanto quanto está recebendo. A maioria de nós quer um relacionamento onde o investimento é igual em ambos os lados.

Obviamente, quando sentimos que estamos investindo muito mais do que o nosso parceiro, nos sentimos desvalorizados – afinal, queremos ser amados tanto quanto nós amamos nosso parceiro, queremos ser reconhecidos. Isso é completamente natural, e é bom! Quem quer receber menos de propósito? Não muita gente, lhe garanto. Porém, existe um grande problema que pode acontecer quando nos sentimos (note que falei sentimos, não “estamos”) desvalorizados, e que na verdade acontece muito: deixamos de ver o ponto de vista do outro.

A maioria das pessoas assim que se vêem desvalorizadas tendem a se vingar (isto é, começam a se dedicar menos ao relacionamento) ou começam a discutir e demandar mais do parceiro. O problema da primeira solução é que não é solução (seja em um problema real ou não), só cria uma bola de neve que pode esmagar seu casamento/namoro, enquanto o problema da segunda solução é que, se você estiver demandando demais do seu parceiro sem necessidade, isso também causará problemas – seu parceiro também não quer se sentir desvalorizado, assim como você. Claro, conversas podem e devem acontecer em situações reais, mas e se tudo for uma questão de perspectiva? Quantos problemas poderiam ser evitados com isso?

Por mais que nós imaginemos que somos naturalmente justos, a verdade não é bem assim. Não vemos a grande maioria das situações de forma neutra, especialmente quando sentimentos fortes como o amor estão envolvidos. Além disso, tendemos a ser ingratos: damos mais valor ao novo, e esquecemos o que temos por “garantido”, coisas do dia a dia acabam sendo deixadas de lado, assim como gestos e pessoas. Quem nunca deu valor demais à uma pessoa nova, apenas para se ver desapontado depois de um tempo? E, se você já se arrependeu de não ter dado valor a alguém antes de ter sido tarde demais, você sabe perfeitamente do que estou falando.

No nosso dia a dia cometemos vários enganos, e pode ter certeza que cometemos alguns com as pessoas que nos são mais próximas também. Na verdade, são essas as pessoas com quem passamos mais tempo, logo, as chances de errarmos com estas são ainda maiores, certo? É uma matemática simples. Às vezes nossa “balança de justiça” fica descalibrada, e a solução é fácil: pare e pense antes de agir ou reagir. Será mesmo que não estou recebendo o valor que mereço? Será mesmo que esta pessoa não me dá valor? O quanto esta pessoa está fazendo por mim, e o quanto estou fazendo por ela? Deixamos de apreciar pequenos atos feitos diariamente pelos nossos parceiros com muita facilidade: seja aquele jantar que ele sempre faz para você assim que você chega exausta do trabalho, ou como ela sempre cuida de você quando você está doente. Quando o bom vira normal, esquecemos que é bom e queremos mais. Pare e pense se o seu descontentamento é causado por algo real ou por sua mente achando que há uma injustiça onde não existe. Se coloque na posição do seu parceiro e tente ver as coisas do ponto de vista dele ou dela.

Esta dica pode parecer besteira, mas todos nós reagimos muito mais impulsivamente do que imaginamos e do que deveríamos. Nosso instinto de sobrevivência bate forte e queremos reagir imediatamente, demandamos o que merecemos! O grande problema é que este instinto pode bater forte, mas não pensa nos outros. Cabe a nós darmos uma freada nesses impulsos e pensarmos se realmente estamos sendo justos ou não. Pense mais antes antes de tomar qualquer atitude, e verá que terá menos problemas.

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Sexo: perguntas que você precisa fazer ao seu parceiro antes do casamento

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Por mais que um casamento seja muito mais do que sexo, relacionamentos íntimos são importantes para a manutenção de um. Na clínica, vejo muitos dos meus clientes com problemas que poderiam ter sido evitados caso uma conversa tivesse sido tida com seus parceiros antes de “fechar o contrato”. A falta de verdadeira intimidade com seu parceiro pode criar sérios problemas no futuro, inclusive o divórcio. Portanto, antes de tomar o próximo passo, veja se esses assuntos já foram discutidos:

Você possui alguma fantasia sexual? Preferências?
Apesar de nem todos os parceiros possuírem fantasias, considere também as preferências sexuais em geral neste mesmo tópico. Quando os parceiros estão no começo de um relacionamento, é comum esconder maiores intimidades, que geralmente aparecem aos poucos. No entanto, às vezes o assunto é importante e não é discutido por vergonha, o que pode levar à frustração em longo prazo. Um exemplo aqui são os fetiches: e se o seu parceiro tiver um? Isso precisa ser conversado, e um acordo que seja satisfatório para os dois precisa ser encontrado.

Você gosta de sexo? De quanto em quanto tempo você acha uma periodicidade saudável?
No começo do relacionamento muitos parceiros exageram na quantidade, seja para agradar o parceiro ou porque acha que é o certo. Algumas pessoas sequer se importam com o ato, e só fazem porque “faz parte”. Uma pessoa que quer ter relações uma vez ao ano terá problemas com uma outra que quer ter cinco vezes ao dia. Isso tudo deve ser conversado. Não existe uma periodicidade ideal, e sim uma periodicidade que agrade a ambos.

Você possui algum problema sexual que eu não sei?
Disfunções seja por depressão ou qualquer outro motivo precisam ser mencionados, assim como qualquer problema genital. Traumas sexuais também precisam ser conversados, seja em particular ou junto com um terapeuta.

Você quer ter filhos?
É uma pergunta que não tem a ver com sexo, mas tem a ver com o resultado do ato. Quais são as expectativas de cada um para o futuro? Vocês dois querem filhos? Se sim, quantos? Qual seria o método de criação? Se não, vocês sempre usarão algum contraceptivo? Se sim, qual? Seu parceiro tem algo contra camisinha? Essas perguntas precisam ser respondidas para evitar brigas ou surpresas no futuro.

Como foram os seus relacionamentos anteriores?
Não podemos dizer que pessoas que já traíram sempre trairão, mas se o seu parceiro teve cinco relacionamentos e em todos eles houve traição por parte dele, interprete isso como um mau sinal. Não somente traição, mas qualquer tipo de repetição deve ser levado em conta: abandono, falta de interesse, raiva, etc.

Por último, lembre-se que não existem casais perfeitos e 100% compatíveis, e sim pessoas dispostas a negociar e a chegar em um acordo que agrade a ambos. A ideia de que qualquer diferença pode ser eliminada apenas no convívio é muito bonita, mas é uma ilusão. Muitas diferenças podem ser eliminadas sim, porém há a necessidade de saber se existe um caminho para isso, se os dois estão dispostos a negociar e o quanto estão dispostos a ceder.

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Gaslighting

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Gaslighting é uma técnica de manipulação emocional que, feita repetidas vezes, faz com que a pessoa duvide de si mesma. É muito comum em relacionamentos abusivos – aliás, abuso emocional é muito mais comum do que imaginamos.

Por que esse nome?

Gaslight é o nome da obra de Patrick Hamilton, que conta a história de um casal, onde o marido tenta fazer com que a esposa pense que ela está ficando maluca. Ele faz isso com táticas sutis, e uma delas é diminuir as luzes de gás (por isso o nome da obra). A esposa fala para o marido que as luzes estão mais fracas e ele nega, começando assim a questionar a sua sanidade.

Frases como:
“Você está maluca”
“Eu nunca disse isso”
“Você é sensível demais”
“Está de TPM?”
Desmerecem os sentimentos e/ou a memória da pessoa. Claro, ninguém se lembra de absolutamente tudo o que disse, mas há uma grande diferença entre não se lembrar e acusar o outro de estar com problemas de memória/emocionais e tentar reescrever a memória deste. Gaslighting é uma técnica de desorientação.

Essas mesmas frases, entre outras semelhantes, lentamente quebram a auto-confiança de quem está sofrendo gaslighting. Alguns sintomas são:

-Auto-questionamento da própria memória ou de emoções.
-Confusão mental, incluindo “estar se sentindo maluco”
-Você se vê sempre cometendo erros, e está sempre pedindo desculpas para uma pessoa, mas não consegue entender como reagiu de tal forma.
-Você não consegue entender como que, com tantas coisas boas acontecendo na sua vida, você está infeliz
-Você frequentemente cria desculpas para defender seu parceiro/parente/amigo
-Incapacidade de fazer decisões simples
-Você sente que não consegue fazer nada direito
-Você se pergunta se é uma pessoa boa o suficiente

Lembre-se que gaslighting pode ser feito por qualquer pessoa, incluindo chefes, colegas de trabalho, familiares e parceiros. Se você está sentindo que precisa defender sua sanidade ou o seu valor como pessoa, é bom se perguntar se você está sendo manipulado por alguém.

A terapia pode ajudar a perceber a manipulação e a lidar com ela, seja mudando a dinâmica da relação tóxica ou cortando-a completamente.

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Você está em um relacionamento com um narcisista?

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No ‘mundo leigo’, quando alguém fala de narcisismo, as pessoas ao redor pensam em uma pessoa vaidosa, que fica se olhando no espelho por mais tempo do que a maioria. Porém, narcisismo é algo muito mais sério do que uma vaidade exacerbada. As pessoas que possuem esse transtorno de personalidade podem afetar profundamente a vida das pessoas ao seu redor, principalmente parceiros, que normalmente são as principais ‘fontes de energia narcísica’ para estes. Na minha experiência clínica, posso dizer que não é incomum tratar de parceiros de pessoas com este tipo de problema.

Então, decidi listar aqui alguns sinais de Transtorno de Personalidade Narcisista

1- Carismático e sedutor
É muito fácil ser enganada(o) por um narcisista, pois os primeiros dias de interação com essa pessoa serão perfeitos. Os narcisistas criam uma máscara perfeita para conquistar seus alvos. Assim que a fase da conquista acaba, a máscara cai (às vezes voltando caso ele(a) precise de volta). Somente depois disso que vemos os outros sinais.

2- Insensível às necessidades dos outros
O parceiro não é escutado, e o relacionamento gira em torno do narcisista.

3- Não assume seus erros.
A culpa é sempre do outro ou de algum evento. Nunca assumir responsabilidade pelos atos é um grande sinal de narcisismo.

4-Hipersensibilidade à críticas
Narcisistas não aceitam a “crítica construtiva” muito bem. Não somente isso, um comentário completamente inocente pode se tornar o começo de uma briga. O narcisista, apesar de mostrar ao mundo a sua ideia de perfeição e grandiosidade, na verdade possui um ego extremamente frágil.

5- Manipulação
Especialmente quando há briga, espere que o narcisista fique mudo e não queira cooperar. Ficar mudo, ignorar ligações e mensagens são comuns. Narcisistas são experts em truques para obterem o que querem, seja ganhar em uma discussão, obter um objeto ou conseguir um favor.

6- Desvalorização dos outros
Narcisistas geralmente põem os outros como inferiores, apontando seus erros, para se sentirem melhores.

7- Triangulação
Envolvem uma terceira pessoa no relacionamento (muitas vezes uma pessoa que poderia ‘roubá-lo’ de você) para deixar você frágil, portanto mais fácil à manipulação. Isso também é usado para aumentar o ego do narcisista. Existem outras formas de triangulação, que eu mencionarei em outro post dedicado à isso.

8- Sem regras
Narcisistas se sentem acima de qualquer qualquer um, incluindo a lei. Atitudes como obter prazer roubando pequenas coisas ou ultrapassar sinal sem necessidade podem ser um grande alerta de narcisismo.

E claro: fantasias de grandiosidade, monólogo sobre si mesmo e falta de interesse honesto e real em outras pessoas.

Mas então, o que fazer? Devo largar meu narcisista?
Isso quem deve descobrir é você. Porém, lembre-se que pessoas que sofrem de Transtorno da Personalidade Narcisistas têm dificuldade de ver seus próprios erros e seu impacto nos outros. Nós não podemos mudar nossos parceiros à força, e as pessoas só fazem mudanças quando veem que há necessidade. Algumas pessoas com esse transtorno podem SIM mudar para melhor, mas requer que eles mesmos queiram mudar e requer bastante trabalho na terapia. Por último, lembre-se que você precisa também achar a sua felicidade, seja com esse parceiro, sozinha(o) ou com outro. Não aceite abuso de seu parceiro, tenha ele recebido um diagnóstico ou não.

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Mais do que apenas aturar

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Meninas são ensinadas desde cedo a serem agradáveis e “boazinhas”.  Ser amiga de todos e não criar conflitos é mais importante para as mulheres do que para os homens. Aprendemos desde cedo a sermos comportadas e a fazermos de tudo o possível para sermos bem-vistas. Isso pode ser uma tática de socialização, mas pode vir com um preço bem caro quando nos envolvemos em relacionamentos tóxicos.

Essas mesmas mulheres que, quando meninas, queriam agradar a todos, podem crescer sem voz em um relacionamento – mulheres que fazem tudo para agradar o parceiro, dando o máximo de si, para pessoas que não lhe dão o retorno desejado.

Muitas vão para a clínica e reclamam da situação. Quando questionadas sobre o que estão fazendo a respeito, se calam – afinal, mulheres que reclamam “chateiam” – ou é assim que muitas pessoas pensam. Arranjam desculpas como “um dia ele verá meu valor” ou “ele não mostra, mas sei que gosta de mim” para não terem que tomar uma atitude.  Essas acabam sofrendo caladas, para não perderem o relacionamento que têm com seu namorado/marido/companheiro. Mantêm uma relação… Mas a que custo? O preço é alto. Alto demais. Não deveria ser pago.

A verdade é que comunicação é essencial em um relacionamento, e ambas as partes devem ter seus desejos emocionais e físicos realizados. As necessidades devem ser conversadas, e, um parceiro que é incapaz de ouvir não é um parceiro bom o suficiente. Homens maduros emocionalmente preferem ouvir o que suas mulheres querem. E se suas necessidades também não puderem ser atendidas pelo mesmo, considere isso um sinal de incompatibilidade. Pare de criar desculpas para sustentar um relacionamento desequilibrado.

Pense em você, nas suas necessidades e no porquê de você estar aceitando relacionamentos com parceiros que não são bons para você. Você merece e pode ser feliz.Você merece mais do que apenas aturar.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica

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Está no momento de terminar o relacionamento com o seu parceiro?

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(fonte: pixabay.com)

Relacionamentos nunca são perfeitos – aliás, muitas vezes, eles não chegam nem perto disso, sendo verdadeiras tempestades (ou “montanhas-russas”), onde em um momento está tudo ótimo, e em outro você pensa que tudo deve terminar naquele momento.

Calma.

A primeira coisa que você tem que ter em mente é que decisões feitas com a cabeça quente geralmente não são as melhores. Se dê um tempo para refletir sobre tudo, e deixo para você as seguintes perguntas:

O que VOCÊ pode fazer para melhorar o relacionamento? Você já está fazendo tudo o que pode? Você quer, de fato, fazer tudo o que pode?

Você está feliz consigo mesma(o)? O problema é você ou é o seu parceiro? Você está esperando que o seu parceiro preencha um vazio que ninguém, apenas você, pode preencher? Às vezes culpamos nossos parceiros pela nossa infelicidade, quando o problema está em nossa autoestima, por exemplo. Pare para examinar de onde vem a causa do problema, e se você está tentando usar seu parceiro como “remédio para tudo”. Colocar uma responsabilidade tão grande nos ombros de uma pessoa é, além de injusto, impossível de dar certo.

O seu parceiro adiciona coisas (boas, claro) na sua vida, ou subtrai? Claro, algumas (muitas) vezes pode haver uma subtração – mas essa subtração é pequena, comparada às coisas boas que seu parceiro te traz? Faça uma lista. Ponha todos os pontos positivos e os negativos e veja se o relacionamento está valendo a pena.

Imagine a seguinte situação: Imagine um filho seu, ou talvez uma melhor amiga, com um parceiro como o seu. Você gostaria que eles estivessem nessa situação? Se não, por que você deveria estar em uma relação como a sua?

Você ficaria mais feliz sozinha(o)? Pare e reflita como seria sua vida caso não estivesse com o seu parceiro. Sua vida seria melhor? Do quê você sentiria falta? Se você já está se imaginando por aí solteira(o), talvez seja o momento de terminar a relação.

Novamente, tome todo o tempo necessário para refletir. Antes demorar para chegar à uma conclusão do que ir na pressa e se arrepender. O importante é estar pronto, seja para qual caminho for.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica

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