Deverias e Tradições

Nossa sociedade está cheia de tradições e “modos de fazer” que são absurdos, inúteis ou simplesmente não trazem um bom resultado pessoal, mas mesmo assim as fazemos porque é o “certo” e porque se encaixar na sociedade obviamente traz benefícios e muito menos responsabilidade pelas suas próprias atitudes. Afinal, se você fizer tudo “certo” e acontecer algo de errado na sua vida, a culpa não é sua, correto? Fazendo o “certo” você evita olhares desconfiados, desaprovação… Mas a que custo? Às vezes da sua própria felicidade.

Não estou sugerindo nenhuma revolta anarquista ou deprezo da lei. As leis são necessárias para se manter a ordem. Também não estou aqui para listar as inutilidades ou absurdos do mundo. Cabe a você julgar o que é importante e certo para você.

Uma tradição ou uma regra social passa a ser doentia quando é contraproducente ou entendiante (inútil) à você. É um sinal que você quer deu a sua liberdade de escolha e está deixando-a nas mãos de uma força externa.

Etiquetas sociais, por exemplo, são um bom exemplo de aculturação inútil. Boa parte delas são sem significado.. Você pode decidir por si mesmo o quanto dará de gorjeta, como vai se vestir e que horas e onde comerá. É importante determinar por si mesmo quais regras são realmente úteis e quais podem ser quebradas sem trazer prejuízo para si e para os outros. Ser obrigado a obedecer à todas as regras sociais o tempo inteiro é uma vida de escravidão emocional. É recompensador viver a vida em seus próprios padrões.

A autorrealização não pode ser obtida se somos completamente controlado pelos outros. Não somos robôs apenas seguindo regras. Certas normas sociais devem ser questionadas. O que é certo para os outros pode não ser para você. Lembre-se que o certo depende das condições e pessoas envolvidas, nenhuma situação é completamente igual à outra. Não necessariamente o certo é o bom e o justo. A palavra “CERTO” somente subentende que se algo for feito de uma devida maneira, terá mais probabilidade de ter resultados positivos. Mas, como já mencionei antes, nenhuma situação é igual à outra, logo o certo para os outros pode muito bem não funcionar bem para você.

Portanto, não é imperativo que esses “deve” e “não deve” sejam seguidos. Além de impedir a sua autorrealização, faz com que você interprete um papel que lhe gera tensão, e, honestamente, ninguém consegue ser algo que não deseja por muito tempo, pois procuramos o nosso bem-estar, o que é apenas natural.

Como mencionei em outro texto, os inovadores da história foram justamente os que foram além das regras, que não se importaram com olhares desaprovadores. Se você segue tudo o que é “certo”, como descobrirá novas coisas? Fique com a tradição e permanecerá o mesmo ou torne-se juiz de seus próprios atos e o mundo será seu.

Culpa

A culpa é uma das emoções mais fúteis e improdutivas. Não confunda o que estou dizendo com aprender com os erros do passado. Leia o restante.

A culpa te imobiliza e faz com que você desperdice os momentos do presente pensando e ficando aborrecido com algo que aconteceu no passado. Mas, honestamente, gastar sua energia se sentindo mal vai mudar um fato que já é história? Sua culpa é uma tentativa de mudar o passado, mas todos sabemos que o que está no passado nunca mudará.

Infelizmente, na nossa cultura, não se sentir culpado é algo considerado ruim e até desumano. É como se você tivesse que dar uma prova que você dpa importância aos outros, se sentindo mal. Toda a culpa que você sente agora não é puramente sua. Desde pequenos começamos a agregar culpa que a nossa família impõe em nós (lembra-se daquele “você vai me dar um ataque do coração um dia” ou “você vai nos desgraçar” que quase toda criança/ adolescente escuta?), por professores (“você deveria se envergonhar dessa nota”), pela igreja (“Você não irá para o céu por ter se comportado mal”) e mais tarde na vida por parceiros (“se você me amasse” ou “lembra daquilo que você fez em tal dia…”) e até seus filhos (“você não me ama, devo ser adotado!”), porque eles também aprendem que a culpa funciona, olhando todas as pessoas em volta usarem a tática, incluindo você, muito provavelmente.

Além de gastar deu tempo e lhe imobilizar, a culpa tem ganhos secundários, e é por isso que é tão difícil de se livrar dela. Usando a culpa, você não precisa usar seu momento atual de forma produtiva, e também evita um esforço de mudança real, que sempre traz riscos e insegurança. Às vezes é mais fácil se sentir culpado e ficar imobilizado do que tentar crescer.

Há também uma tendência a se acreditar que, por se sentir culpado, acabará sendo perdoado pelos outros. A culpa é um ótimo jeito de obter aprovação alheia após ter cometido um erro.Já parou para pensar como a culpa pode abrir oportunidades para repetir o comportamento indesejável? É só se sentir culpado que poderá repetir o mesmo erro novamente!

Que tal se sentir menos culpado, porque, afinal, essa viagem neurótica não te leva a nenhum lugar produtivo, assumir seu erro e genuinamente procurar crescer e tentar não cometer os mesmos erros novamente? Assim você perde menos do seu presente (pensando num passado que não pode ser mudado), se sentirá menos mal e o melhor de tudo: crescerá.

Rótulos

Rótulos fazem parte do nosso dia-a-dia. Rotulamos os outros e à nos mesmos constantemente. “Como ela é criativa”, “Não sou bom em matemática”, “Não tenho mais idade para isso”, “Como ela é extrovertida”, e a lista segue eternamente.

Existem rótulos positivos e negativos. Rótulos positivos fazem mais do que elogiar: eles colocam a gente para cima, nos motivando. Se dizem que você é bom no bilhar, por exemplo, você vai se sentir mais confiante para jogar e também jogará melhor, consequentemente melhorando cada vez mais. Não falarei aqui sobre rótulos positivos pois todos gostamos de saber que somos bonitos, inteligentes ou bons em alguma coisa. O que vim falar nesse texto são sobre os rótulos ruins, que nos imobilizam.

Segundo Søren Kierkegaard: “Uma vez que você me rotula, está me negando”, isto é, quando precisamos corresponder ao rótulo, perdemos a autenticidade. Os rótulos já começam a aparecer quando somos crianças. Eles vêm de todos os lados: professores, amigos, família… Eles não são criados por maldade (pelo menos na maioria das vezes). É da natureza humana encaixar as pessoas em categorias distintas, por questões de facilidade. Mas você já parou para imaginar o quanto um ‘você não é bom em artes’ pode cortar a sua criatividade, por exemplo? Alguém diz que você não desenha bem, você se sente desestimulado e acaba desistindo de desenhar porque ‘não é bom’ e, provavelmente, deixou de ganhar um talento por isso. Habilidades não surgem do nada. Sim, alguns têm mais facilidade do que outros, mas, se esforçando, todos podem desenhar, pintar, ou fazer quase tudo.

Outro tipo de rótulo negativo é o imposto por nós mesmo por serem convenientes. “Sou tímida”, “Sou ruim em matemática”, “Sou desorganizado”, “Já estou velho para voltar a estudar”. Veja como eles impedem você de crescer, dão desculpas para atitudes inadequadas ou trabalhos mal-feitos. Prático, não?

“Não consigo parar de fumar, é assim que eu sou”, diz um fumante. Parar de fumar não é impossível, e o fumante, já dizendo que não consegue e é assim que ele é, já está se auto-sabotando, dizendo a si mesmo que mesmo se tentar, não conseguirá, então para que se dar ao trabalho?

Quando deixamos os outros nos categorizar, estamos dando o controle de aspectos de nossa vida a essas pessoas, e quando nós mesmos nos rotulamos negativamente, estamos cortando nossa própria capacidade de crescer.

O problema não estão nos rótulos em si. Se um rótulo lhe deixa satisfeito, deixe que este continue. Porém, se há alguns lhe incomodando e atrapalhando seu caminho, está na hora de examiná-los e modifica-los. Você sempre pode crescer, é só querer.

Mudar para agradar outra pessoa?

Muitas pessoas se questionam se devem mudar algo em si para achar um parceiro. Às vezes nem precisamos procurar os defeitos, porque pessoas próximas apontam eles para nós: “Vocé é muito chorona”, “você é muito dependente”, entre outros.

Voltando à pergunta: devemos mudar algo em nós para achar um parceiro?

Ninguém quer ter um relacionamento com uma pessoa falsa, e, na maior parte do tempo, as próprias pessoas que fazem essa mudança para o outro não sustentam isso para todo o sempre, por isso mesmo que dizem que “a máscara cai depois de um tempo”.

Se formos olhar a vida de casais, podemos ver que muitas parceiras ou parceiros são mandões, dependentes, chorões, e ainda assim têm um ótimo relacionamento com o parceiro, porque encontraram alguém compatível. Não há uma personalidade ‘perfeita’ para ser feliz, e ser falso com o outro e consigo mesmo não dura para sempre. Às vezes até uma pessoa ‘perfeita’ (se é que podemos chamar alguém assim até entre aspas) não encontra um parceiro porque simplesmente não há ninguém compatível com esta no momento/lugar. A questão é compatibilidade. É achar alguém que goste de você por quem você é e que você goste dessa pessoa por quem ela é.

Obviamente, mudanças positivas são ótimas, mas devem começar de dentro para fora, não de fora para dentro. Devemos mudar porque achamos que a mudança vai ser boa para nós, não para o outro.