Mais uma dica de relacionamento: Problemas? Veja seu relacionamento de todos os ângulos

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Todos sabemos que um relacionamento saudável consiste de duas pessoas que se sentem “recompensadas” pelo que fazem um pelo outro. O que eu quero dizer com isso é que, se colocarmos em termos monetários, um bom relacionamento seria um em que você sente que está dando tanto quanto está recebendo. A maioria de nós quer um relacionamento onde o investimento é igual em ambos os lados.

Obviamente, quando sentimos que estamos investindo muito mais do que o nosso parceiro, nos sentimos desvalorizados – afinal, queremos ser amados tanto quanto nós amamos nosso parceiro, queremos ser reconhecidos. Isso é completamente natural, e é bom! Quem quer receber menos de propósito? Não muita gente, lhe garanto. Porém, existe um grande problema que pode acontecer quando nos sentimos (note que falei sentimos, não “estamos”) desvalorizados, e que na verdade acontece muito: deixamos de ver o ponto de vista do outro.

A maioria das pessoas assim que se vêem desvalorizadas tendem a se vingar (isto é, começam a se dedicar menos ao relacionamento) ou começam a discutir e demandar mais do parceiro. O problema da primeira solução é que não é solução (seja em um problema real ou não), só cria uma bola de neve que pode esmagar seu casamento/namoro, enquanto o problema da segunda solução é que, se você estiver demandando demais do seu parceiro sem necessidade, isso também causará problemas – seu parceiro também não quer se sentir desvalorizado, assim como você. Claro, conversas podem e devem acontecer em situações reais, mas e se tudo for uma questão de perspectiva? Quantos problemas poderiam ser evitados com isso?

Por mais que nós imaginemos que somos naturalmente justos, a verdade não é bem assim. Não vemos a grande maioria das situações de forma neutra, especialmente quando sentimentos fortes como o amor estão envolvidos. Além disso, tendemos a ser ingratos: damos mais valor ao novo, e esquecemos o que temos por “garantido”, coisas do dia a dia acabam sendo deixadas de lado, assim como gestos e pessoas. Quem nunca deu valor demais à uma pessoa nova, apenas para se ver desapontado depois de um tempo? E, se você já se arrependeu de não ter dado valor a alguém antes de ter sido tarde demais, você sabe perfeitamente do que estou falando.

No nosso dia a dia cometemos vários enganos, e pode ter certeza que cometemos alguns com as pessoas que nos são mais próximas também. Na verdade, são essas as pessoas com quem passamos mais tempo, logo, as chances de errarmos com estas são ainda maiores, certo? É uma matemática simples. Às vezes nossa “balança de justiça” fica descalibrada, e a solução é fácil: pare e pense antes de agir ou reagir. Será mesmo que não estou recebendo o valor que mereço? Será mesmo que esta pessoa não me dá valor? O quanto esta pessoa está fazendo por mim, e o quanto estou fazendo por ela? Deixamos de apreciar pequenos atos feitos diariamente pelos nossos parceiros com muita facilidade: seja aquele jantar que ele sempre faz para você assim que você chega exausta do trabalho, ou como ela sempre cuida de você quando você está doente. Quando o bom vira normal, esquecemos que é bom e queremos mais. Pare e pense se o seu descontentamento é causado por algo real ou por sua mente achando que há uma injustiça onde não existe. Se coloque na posição do seu parceiro e tente ver as coisas do ponto de vista dele ou dela.

Esta dica pode parecer besteira, mas todos nós reagimos muito mais impulsivamente do que imaginamos e do que deveríamos. Nosso instinto de sobrevivência bate forte e queremos reagir imediatamente, demandamos o que merecemos! O grande problema é que este instinto pode bater forte, mas não pensa nos outros. Cabe a nós darmos uma freada nesses impulsos e pensarmos se realmente estamos sendo justos ou não. Pense mais antes antes de tomar qualquer atitude, e verá que terá menos problemas.

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Mais do que apenas aturar

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Meninas são ensinadas desde cedo a serem agradáveis e “boazinhas”.  Ser amiga de todos e não criar conflitos é mais importante para as mulheres do que para os homens. Aprendemos desde cedo a sermos comportadas e a fazermos de tudo o possível para sermos bem-vistas. Isso pode ser uma tática de socialização, mas pode vir com um preço bem caro quando nos envolvemos em relacionamentos tóxicos.

Essas mesmas mulheres que, quando meninas, queriam agradar a todos, podem crescer sem voz em um relacionamento – mulheres que fazem tudo para agradar o parceiro, dando o máximo de si, para pessoas que não lhe dão o retorno desejado.

Muitas vão para a clínica e reclamam da situação. Quando questionadas sobre o que estão fazendo a respeito, se calam – afinal, mulheres que reclamam “chateiam” – ou é assim que muitas pessoas pensam. Arranjam desculpas como “um dia ele verá meu valor” ou “ele não mostra, mas sei que gosta de mim” para não terem que tomar uma atitude.  Essas acabam sofrendo caladas, para não perderem o relacionamento que têm com seu namorado/marido/companheiro. Mantêm uma relação… Mas a que custo? O preço é alto. Alto demais. Não deveria ser pago.

A verdade é que comunicação é essencial em um relacionamento, e ambas as partes devem ter seus desejos emocionais e físicos realizados. As necessidades devem ser conversadas, e, um parceiro que é incapaz de ouvir não é um parceiro bom o suficiente. Homens maduros emocionalmente preferem ouvir o que suas mulheres querem. E se suas necessidades também não puderem ser atendidas pelo mesmo, considere isso um sinal de incompatibilidade. Pare de criar desculpas para sustentar um relacionamento desequilibrado.

Pense em você, nas suas necessidades e no porquê de você estar aceitando relacionamentos com parceiros que não são bons para você. Você merece e pode ser feliz.Você merece mais do que apenas aturar.

Paula Monteiro
Psicóloga Clínica

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Ciúmes na relação

imagem:FreeDigitalPhotos.net
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Ciúme é um sentimento complexo, que é multi-dimensional, envolvendo raiva, ansiedade e medo. O ciúme tem suas raízes em você mesmo (variando de acordo com a sua história de vida), na cultura que você vive (o que se é esperado em uma cultura muitas vezes não é esperado na outra)  e na relação entre duas ou mais pessoas. Além disso, quando falamos de ciúmes, geralmente pensamos em algo negativo, trazendo a idéia de possessividade, controle e egoísmo.

Quando pensamos em ciúmes em um relacionamento, podemos adicionar a todos os adjetivos citados acima, conflitos e problemas no relacionamento. Muitas vezes esses problemas, levados ao nível máximo, podem causar crimes passionais, sendo a maioria causados por homens.

No entanto, a idéia de que ciúmes são sempre ruins é um pensamento equivocado. Na verdade, ciúme, na dose certa, é um indicativo de que a pessoa gosta do parceiro, e ajuda na manutenção dos laços amorosos. Ciúme é uma reação biológica, isto é, natural, que é observada em animais e em bebês. O ciúme varia em grau e em tipo. Podemos dizer que o ciúme em um relacionamento pode ser categorizado, no mínimo, em ciúme reativo e ciúme desconfiado.

O que quero dizer com isso? Pois bem, como eu disse antes, ciúme é uma reação natural, e que depende de uma série de fatores. O ciúme que chamo aqui de reativo acontece quando há uma real ameaça ao relacionamento. O ciúme então acontece por causa de “um estranho no ninho”. Isso não significa que a reação seja necessariamente adequada ou aceitável socialmente só porque há uma ameaça real. Há níveis e níveis de ciúme. Esse ciúme, portanto, é causado, pelo menos por parte, por um fator externo. Já o ciúme desconfiado é causado por fatores internos. Baixa auto-estima, entre outros fatores causados por eventos causados no passado (até possivelmente uma traição anterior), podem gerar insegurança.

Os dois ciúmes podem se entrelaçar ou um virar o outro. Por exemplo, uma pessoa com ciúme reativo que é traída pode começar a ter ciúme do tipo desconfiado depois da traição, e uma pessoa que tem ciúme desconfiado do parceiro, gerando comportamentos altamente neuróticos, pode destruir o relacionamento e fazer com que o parceiro perca o interesse no relacionamento, e consequentemente termine ou traia.
No final, o que importa é que sentimentos de ciúme e insegurança sempre são ruins, então devemos consertá-los. A forma de conserto é que difere nessa hora. Se você tem ciúme do tipo desconfiado, trabalhar em si mesmo, fazer terapia e aumentar sua auto-estima são pontos cruciais. Já no caso do ciúme reativo, comunicação entre os parceiros é a chave: Apesar de conversas sobre o tópico serem complicadas e muitas vezes evitadas, insegurança, segredos e omitir sentimentos não é uma base sólida para a um casal se manter. Comunicação é essencial para um relacionamento saudável.

Como você escolhe seu parceiro amoroso?

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Muitos de nós acreditamos em almas gêmeas; de que existe uma pessoa em especial que é perfeita para nós, em todos os sentidos. Mas a verdade é que a crença da alma gêmea pode estar te impedindo de ser feliz.

Primeiramente, sejamos realistas: se existe uma pessoa na Terra perfeita para você e a Terra tem aproximadamente 7 bilhões de pessoas, é bem provável que você não ache essa pessoa. Consegue imaginar passar por todas essas pessoas antes de achar o seu par ideal? Mesmo que você tenha uma preferência sexual por um gênero só, 3,5 bilhões ainda é coisa demais.

Shwartz e colaboradores (2012) notaram que há dois modos prevalentes de escolha de parceiro: satisfação e maximização.

A pessoa que procura pelo método de maximização procura encontrar a MELHOR pessoa possível e troca quando encontra alguém melhor que o parceiro atual. O tipo de pessoa que diz que só vai se casar com o melhor homem (ou mulher) da Terra. Essas pessoas procuram bastante e por um longo tempo, ganham bastante experiência, e não aceitam nada aquém do melhor.

Já a pessoa que procura pelo método de satisfação pensa nos pontos que ela julga necessário para um parceiro antes de começar a sua procura, e selecionam a primeira pessoa que se encaixa nesses critérios, ao invés de estar sempre procurando pelo melhor de todos, a busca inalcançável.

Apesar de nossa sociedade ser de fato maximizadora, afinal, queremos sempre o melhor em tudo, os estudos comparando os dois tipos de escolha mostra que pessoas que vão pelo método de maximização se encontram mais deprimidas, perfeccionistas e se arrependiam mais que as pessoas que procuravam pelo método de satisfação, que se encontravam bem mais otimistas, felizes com a vida e com boa auto-estima. Essas pessoas encontram o que querem e o que precisam, e estão satisfeitas com o que têm.

As pessoas que procuram pelo método de maximização acabam pulando de relacionamento em relacionamento, sempre procurando por algo melhor (ou simplesmente esperando por todo o sempre), e depois sofrendo as consequências por estar sempre correndo atrás da inatingível perfeição.

Portanto, o ideal é parar e pensar o que você precisa num parceiro para te deixar feliz e satisfeito e também o que é absolutamente inadmissível um parceiro ter como defeito e seguir com essa lista, e esqueça as opiniões alheias ou o que a mídia manda. Assim, você conseguirá achar um parceiro bom e parará de procurar a perfeição, que não existe.

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