Origens da codependência

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Quando falamos de codependência, muitos pensam que o termo está sempre associado à uma pessoa emocionalmente ligada a um dependente químico, seja essa dependência química o álcool ou drogas ilícitas. Logo, quando menciono o codependência no consultório, dúvidas surgem: como eu posso ser codependente? Não existe abuso de substâncias na minha casa.

A verdade é que o termo, na época que fora criado, era especificamente relacionado ao abuso de substâncias. No entanto, hoje sabemos que a codependência pode existir em qualquer relacionamento com pessoas emocionalmente manipuladoras. Mas a dúvida persiste: por que algumas pessoas se tornam codependentes e outras não? Por que codependentes geralmente pulam de um relacionamento tóxico para outro?

Assim como muitos outros problemas e padrões que trabalhamos no consultório, a codependência tem suas raízes na infância. Codependentes nascem em lares instáveis, onde há manipulação emocional e onde o amor é condicional. Isto é, se a criança não agir da maneira perfeita, ela sofrerá abandono e/ou abuso.

A criança em um lar assim cresce aprendendo a controlar e vigiar o humor de seus pais e abandonar sua verdadeira identidade, seu verdadeiro eu, para agradá-los. É uma questão de sobrevivência – afinal, toda criança precisa de um cuidador. Sendo assim, aprende a “dançar a dança” do manipulador, transformando sua própria vida em um teatro, onde ela está sempre bem, ou melhor, finge estar. Resumindo: é aprendido na infância que, para obter afeto, é preciso ser “perfeito” para o outro, de acordo com o que esse outro considerar perfeição. Tudo gira em torno do cuidador, que molda o gosto e a personalidade da criança, pelo menos em um nível superficial, dando em troca disso tudo uma pequena dose de afeto condicional, que a criança tanto necessita.

Esse padrão de abdicar-se de si mesmo para agradar o outro a qualquer custo continua após a infância, podendo ser visto especialmente em relacionamentos amorosos. Afinal, é o que aprendemos no passado que vira a nossa regra interna. É o tipo de amor que ganhamos na infância que geralmente procuramos no futuro; não por ser saudável, mas por ser o conhecido. Sendo assim, uma criança que nasceu e cresceu em um lar com narcisistas pode se ver entrando em relacionamentos com pessoas parecidas, e recusando relacionamentos e até mesmo amizades com pessoas mais saudáveis. O conforto do conhecido, mesmo que ruim, pode ser melhor (a curto prazo) do que o desconhecido. Sendo assim, codependentes correm o risco de largarem um manipulador emocional para irem para outro, gerando assim um ciclo de altos e baixos e infelicidade.

Na terapia, o codependente aprende a quebrar o ciclo de abuso e também aprende a procurar (e lidar com) formas mais saudáveis de relacionamento (amorosos ou não), onde o seu eu pode existir e é aceito.

Para marcação de consultas (online ou presencial em Petrópolis):
psicologapaulamonteiro@gmail.com
(21) 99742-7750
(24) 98187-4040

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